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A vida condominial em revista

A Lowndes Report – A revista do Condomínio é um registro da dinâmica da vida social que se dá no interior dos condomínios e das práticas que buscam enfrentar os problemas. Relatos de um aprendizado para a civilidade e a cidadania, lugar por  excelência da pessoa na sociedade.

Na capa da edição 16, de Set/Out de 1997, da revista Lowndes Report, vemos o título Família e Condomínio. Ela destacava mudanças na sociedade e na família que se caracterizaram pela perda de um núcleo de convivência, comunhão e amor fraterno, e o consequente aumento do sentimento de insegurança, de perda de um lugar e de pessoas em quem confiar. Sinalizava que os condomínios, cujos moradores constituem uma espécie de família condominial, conhecem bem o problema, pois têm que
conciliar os desejos individuais para a tranquilidade e o bem de todos. Os entrevistados chamaram a atenção para a importância de se estimular os condôminos a um convívio com mais calor humano. “É preciso investir para que reconheçam
que a conciliação e a cordialidade garantem melhores resultados que as divergências”.

O tema convivência, item fundamental dentre os muitos aspectos a que um síndico deve estar atento, teve papel de destaque em muitas outras edições da publicação, ciosa da responsabilidade social que assume e de que são as pessoas os agentes de toda mudança que se queira promover. Não se furtou nem mesmo de tratar de assuntos delicados. Ao contrário, trouxe-os à tona. Pois, para se buscar soluções para os problemas, é necessário, primeiro, aceitar que eles existem.

Na edição 21, por exemplo, a chamada foi para a questão dos tóxicos. Além de casos com ações para manter as drogas longe dos condomínios, os diferentes tipos de entorpecentes, seus efeitos e riscos, e as orientações de um renomado psiquiatra com larga experiência no tratamento de dependentes, e ainda uma lista de centros de atendimento. E na 76, o tema foi violência juvenil, com a preocupação dos síndicos e seus esforços para colaborar com as famílias na proteção dos jovens condôminos. Estatísticas, casos de prevenção e serviços de auxílio. Em ambos os casos, serviço útil para divulgação nos condomínios.

Foi assim também na edição 42, que alertava para a doença que ficou conhecida como o mal do século, a depressão. O número de suicídios resultantes do problema é alarmante e poucos sabem sobre isso. Os principais sintomas e o importante alerta para a necessidade das pessoas próximas aos doentes ofereçam ajuda. “Nos condomínios, não é difícil empregados e vizinhos observarem quando um morador, sem motivo aparente, está ficando cada dia mais triste.
Atenção: é hora de aproximar-se e oferecer
apoio”.

Esta proposta de união em prol do bem comum, foi subtítulo na capa da edição 34. Com o título Participação no Condomínio, destaque para a charge e as dicas do box, ainda válidas: “Condomínios são como o Brasil em escala menor – Um rápido perfil da grande maioria dos condôminos é exatamente igual ao dos brasileiros em geral, para quem cidadania é apenas uma palavra recentemente incorporada a seu vocabulário e o significado do que é comum, do que é público, é obscuro. Público, comum, é
tudo aquilo que pertence a todos. Os condomínios dispõem de áreas comuns, mas poucos condôminos se dão conta de que estes são espaços seus também, uma extensão de sua casa”.

“Eu não posso reclamar de nada, pois não participo das assembleias, nem sei nada do que se passa da minha porta
para fora”, dizia um morador, que alegava não reconhecer como seu o hall de elevadores, assim como os próprios elevadores,
as escadas, a portaria etc. Como tantos outros, ele não participa das reuniões confiando que outros o façam. “Tem sempre alguém que gosta mais dessas coisas”, argumenta.

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Este é o mesmo raciocínio que leva a uma decisão de não votar nas eleições, deixando que outros elejam os políticos que vão legislar sobre a cidade que é sua, que irão decidir sobre a vida que é sua. O comportamento do morador é o mais
comum entre os brasileiros, condôminos ou não, e é o mais representativo da falta de cidadania, que significa participar ativamente nos rumos da sociedade. Mas, felizmente, as coisas estão mudando.”

Esta percepção é o que enseja a publicação ao prosseguir estimulando que as gestões chamem os condôminos a participar cada vez mais da vida condominial. O condomínio tem muito a ensinar. Nele, a vida social, em menor escala, colabora para uma maior compreensão de que as soluções para uma sociedade melhor dependem da união e da participação das pessoas.