Deu certo

Administração presente e conciliadora

Regina Célia de Oliveira Castro é moradora há 47 anos do Edifício Brasil, em Ipanema, e sempre foi atenta e participativa na vida condominial. No início dos anos 80, quando um grupo de senhores que se revezavam há anos na condução do condomínio passou a realizar as reuniões na administradora, no Centro, dificultando sua participação, ela ofereceu sua casa. E foi abrindo espaço para receber os demais condôminos para as reuniões condominiais que surgiu a sua indicação para síndica. “Nós tínhamos um grupo de mulheres coeso e presente em tudo, o síndico trabalhava fora e chegou até a ter uma situação em que pediu para sair porque a mulherada estava mandando muito”, brinca.

Hoje, depois da sexta reeleição, Regina se mantém de portas abertas, realizando os cuidados com o edifício, sempre atenta aos anseios dos moradores, motivo pelo qual conquistou sua confiança.

Para começar sua primeira gestão, fez do fundo de reserva um meio para realizar melhorias constantes no prédio. Atenta à conservação, foi uma das primeiras a entregar o laudo de autovistoria para a prefeitura, experiência que considerou um divisor de águas. “No dia a dia são muitas coisas e priorizar o que fazer não é tão simples. Com a vistoria, é como se passássemos a contar com um mapa para ir cuidando do prédio com mais segurança”, afirma. Desde então, Regina vem empreendendo correções e melhoramentos, sempre com um olho no atendimento às necessidades estruturais e de conservação e outro no bem estar dos moradores. É por isto que todas as vezes que precisa fazer uma cota extra para uma obra de maior vulto, como foi a reforma dos elevadores, lamenta. “Procuro trabalhar sempre com bastante economia. Eu mesma saio a procura de produtos e serviços com bons preços, mas nem sempre é possível”, diz.

De jardineira e negociadora

Regina considera que se a pessoa está pagando, ela quer ver o que está sendo feito e, por isso, não descuida do prédio, cuidando dele como se fosse uma extensão de sua casa. Muito zelo e criatividade para soluções que se revelam encantadoras.

Foi assim com um grande desafio, que foi a colocação de uma grade na frente do prédio. “Foi difícil porque, a princípio, não queriam. Mas a nossa entrada parecia que fazia parte da rua. Estacionavam aqui e no Carnaval, então, ficava um horror. Com a colocação da grade e dos vidros valorizamos a entrada, garantimos segurança e privacidade, e ainda ganhamos um cantinho agradável, hoje usado como um espaço de convivência”, afirma, acrescentando que ela mesma é a jardineira do lugar. “`Plantei árvores, abacateiro, espatodea e palmeiras. Elas atraem passarinhos, nos dão sombra e até um pouco de proteção contra o barulho da rua. Sem contar na beleza”, comemora.

Uma reforma que também exigiu habilidade da síndica foi a reforma do Playgraund, que aconteceu para resolver outro problema. “A nossa escada é muito ingrime e cheguei a chamar uma arquiteta para resolver a questão da acessibilidade no prédio. Mas não quiseram pagar”, conta, acrescentando que foi por isto que optou por reformar a entrada de serviço e a área do play para oferecer um acesso por ali, e este ser de um padrão similar ao da entrada social. Ela aproveitou que as portarias ficam lado a lado e, com espaço de sobra, fez uma rampa longa, com a inclinação correta, piso adequado e corrimão, tudo integrado ao play, a garagem e ao elevador. “Depois de gerar resistência, com tudo pronto a receptividade foi excelente. A área é pequena, mas ficou aprazível. Também fiz um lava pés e atualmente esta entrada serve para muitos moradores e não apenas os que chegam em cadeirantes, com carinho de bebê ou qualquer outra dificuldade de se locomover”, completa.

A síndica se vale de alguns engenheiros que moram no prédio para perguntar sobre a possibilidade de desenvolver uma ideia ou outra. E, assim, consegue fazer as obras necessárias, algumas até mais complexas, como a de esgoto e de cisterna, isto sem as plantas originais. “Foram grandes desafios e ao longo destes anos o prédio foi melhorando. Obras necessárias e de embelezamento. Acho fundamental, pois a pessoa está pagando mas está vendo o trabalho sendo feito. Hoje temos um prédio de 60 anos, mas com aparência de 20 anos, pois está sempre muito cuidado”, comemora.

Zelo pelo prédio faz com que continue

Conhecida por ser muito conciliadora, a síndica está agora às voltas com uma situação desagradável por causa de um restaurante vizinho. “Todos reclamam, pois parece que temos uma churrasqueira dentro de casa”, conta. Depois de quase um ano de conversas amigáveis com o proprietário, que chegou a ir ao prédio a convite da síndica para sentir “o drama” dos moradores, viu a animosidade voltar, depois que um morador entrou na justiça sem falar com ela. “O proprietário tornou-se arredio novamente. Ele está errado, sabe que precisa colocar uma chaminé com um filtro específico, mas quer fazer isto usando a empena do prédio, e isto os moradores não querem. Vamos ver agora como lidar com isto. Contornar divergências para chegarmos logo a uma solução”, diz.

Por esta e por outras, depois seis anos seguidos como síndica, começa a achar que já é hora de mudar. “Havia pensado em sair em agosto, mas entraria um síndico de fora e decidi seguir mais um pouco”, conta. Regina agradece a equipe e aos moradores a confiança, dizendo que não teria conseguido manter-se síndica por tanto tempo se não fosse a equipe de trabalho, que considera maravilhosa. Quanto aos moradores, dos vizinhos da mesma época que ela, restou apenas uma família. E, apesar do público diferente, maioria mais jovens, com outros interesses, todos entendem que os apartamentos são antigos e exigem que estejam sempre dando algum toque. “Eles sabem que estamos atentos e, com isso, conseguimos harmonizar o condomínio. Este é o meu temperamento. O mais importante é ter paciência e boas relações com todos, e isto eu tenho. Sou uma sortuda”, diz.

A lista de obras realizadas é grande, mas inclui modernização dos elevadores, pintura das empenas, colocação da grade, reforma de casa de bombas, correção de vazamento no telhado, troca de para-raios, de caixas d’água e de mangueiras, criação de um deque e pintura da garagem. Quando reformou o playground, aproveitou para colocar piso cerâmico, reformar os banheiros dos empregados e ainda criar uma rampa de acesso, longa e com inclinação suave, que se tornou muito útil seja para dar acesso a cadeirantes, seja para quem chega com carrinho de comprar ou de bebê. Regina também investiu na redecoração da portaria social, que ganhou moveis novos. Fez novo balcão de atendimento e aproveitou o que foi possível, forrando pufs e sofá. “Dei cara nova ao prédio com pouco investimento”, conclui.