Porteiros

BOAS PARCERIAS

José Romero do Nascimento é Porteiro-Chefe do Edifício Itatupan, em Copacabana, onde trabalha desde 1992, quase o mesmo tempo em que o síndico, Paulo Alvarenga, está à frente da administração do prédio. Juntos, formam uma dobradinha de sucesso. Foi o síndico que, vendo o seu trabalho no condomínio em frente, convidou-o para ocupar a vaga do vigia noturno, cargo em que atuou até 1997, quando passou a porteiro-chefe. Mas, desde o início, por seu interesse e facilidade para aprender, tornou-se o braço direito do síndico que reconhece o porteiro como um bom parceiro. “É dinâmico, prestativo e de fácil comunicação, sendo de total confiança, não apenas para mim, mas para todos os moradores”, elogia Alvarenga. “É um síndico muito bom. Basta ver que o trabalho maior aqui é o de manobra de carros na garagem. Nem lembro quando tivemos algum problema no edifício”, devolve José Romero.

Seu jeito sempre bem humorado, meio paraibano e meio carioca, como diz, é responsável também pelo bom relacionamento com porteiros de prédios vizinhos. Romero conta que esta camaradagem permite uma ajuda mútua, especialmente nos cuidados com a segurança da rua, e que a tranquilidade do local faz com que os apartamentos sejam muito procurados, com gente sempre perguntando sobre imóvel à venda. “Mas o que acontece é que, geralmente, acabam ficando com conhecidos dos moradores mesmo. Os outros nem chegam a ter chance”, explica, destacando que a manutenção em dia do Itatupan é outro fator que contribui para atrair interessados em morar no condomínio.

Aprender e ensinar, sempre

O porteiro-chefe coordena o trabalho do faxineiro e do vigia, e não se nega a compartilhar com eles conhecimento algum, por lembrar-se dos seus primeiros tempos, quando chegou ao Rio, vindo do interior da Paraíba, tendo experiência apenas no trabalho da roça. “No outro prédio, comecei sem saber nada. Entregaram uma lista com o nome dos moradores e número dos apartamentos e eu passava o dia olhando para ela. Foi apenas vendo o serviço dos outros que aprendi. Não sei, acho que tinham medo de perder o emprego. Mas eu não sou assim”, conta.

Ele diz que a lembrança dele próprio, que chegou com medo de não conseguir emprego, porque sem experiência sabia que só conseguiria trabalho se fosse indicado por alguém, faz ver-se no outro. “Muitos chegam sem nem saber falar direito, precisam aprender tudo e não vou ensinar?”, afirma, acrescentando que se não fosse a ajuda do irmão mais velho, José Paiva do Nascimento, que já trabalhava em edifício, talvez não tivesse conseguido.

Mas Romero, ao mesmo tempo, diz que se adapta fácil a coisas novas e é muito atento, aprendendo até com o que vê na TV. Foi assim que antes mesmo de vir para o Rio foi trabalhando o sotaque para chegar “não dando tanta pinta” de ser paraibano. E é desta forma que vê no trabalho como porteiro. “É uma excelente oportunidade de estar sempre aprendendo. A gente conversa com muita gente e todo mundo ensina uma coisa nova a cada conversa que tem com você”, garante.

É por isso que o porteiro-chefe do Itatupan recomenda aos novatos não apenas ser educado, saber falar com as pessoas e ajudar as pessoas de mais idade – ações pelas quais é conhecido. “Não basta ser solícito e manter sempre um sorriso no rosto. Isto é importante, mas é preciso também trabalhar de tal forma que os outros tenham em você um parceiro, alguém em quem pode confiar”, ensina o porteiro-chefe, para quem é sempre preferível ser parceiro das pessoas que fazer inimizadas. “Para quê fazer inimigos de graça, se se pode fazer novos amigos?”, pergunta.

Apaixonado pelo Rio

Romero conta que, recentemente, o elevador do condomínio passou por reformas, uma obra que poderia causar muito estresse, mas que tudo correu com tranquilidade. Uma situação diferente da vivida em um período mais distante, quando depois de um incêndio em uma das unidades, com consequente obra de recuperação, ouviu muitas reclamações. “Por vezes, apenas um elevador ficava disponível e, inexperiente, tinha até vergonha de falar, explicando melhor a situação e pedindo a compreensão de todos. Agora, foi bem diferente”, conta, dizendo que o morador não quer saber se você é novo e não sabe. Acha que se está ali tem conhecimento e chama sua atenção, quer um trabalho bem feito. “Se você constrói um relacionamento de parceria com o morador, ele entende que está fazendo tudo o que pode para contornar as dificuldades”, considera.

Esta noção de vida em coletividade, o porteiro-chefe trouxe de casa. Filho de uma família grande, de 12 filhos, seis mulheres e seis homens, aprendeu desde cedo a ser solidário. Hoje, com apenas dois dos irmãos no Rio, Romero passa as férias, a cada dois anos, na Paraíba, para poder rever todos os seus.

Apesar disto, é um apaixonado pelo Rio, cidade que levou algum tempo para conhecer, pelo fato de morar com o irmão em Itaboraí no período do primeiro emprego até passar a porteiro-chefe do Itatupan. “Quando pude conhecer achei impressionante, tão bonita que você se apaixona de cara”, comenta o porteiro que hoje mora no prédio e aproveita as horas vagas para correr na praia e malhar. “Comecei por prevenção, pois sou filho de uma família com histórico de doenças cardíacas, mas gostei tanto que hoje faço como um hobby. A musculação também virou uma paixão”, completa, falando que em todos os momentos é a esposa Marlene Cavalcante do Nascimento sua parceira de vida. “Tenho muita sorte e muitos motivos para ser uma pessoa feliz”, conclui.