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Em um cantinho aprazível de Laranjeiras, quase no final de uma rua sem saída, está o Condomínio do Edifício Barão de Famalicão, um edifício da década de 60, cheio de charme. Bem construído, como a maioria das edificações mais antigas, o prédio de apenas quatro andares e oito apartamentos tem estrutura sólida e ampla em todas as suas áreas. E quem o vê hoje nem imagina que não faz muito tempo andou precisando de cuidados emergenciais. Situação que mudou totalmente nos últimos seis anos, depois da eleição do experiente síndico Damião Florêncio de Lima. Eleito após ser indicado por integrantes da AMORA, a Associação de Moradores da Rua Ribeiro de Almeida, onde já gere outros dois condomínios, Damião iniciou uma rotina de cuidados sem descanso e o resultado é um prédio bonito por fora, pois foi recém pintado em suas fachadas internas e externas, e impecável por dentro, porque dos barriletes às instalações de incêndio e até os elevadores, o prédio foi inteiramente reformado. Seguindo um padrão que acabou desenvolvendo com a prática, o síndico primeiro se apresentou a todos os moradores através de carta acompanhada de uma proposta de trabalho para resolver os problemas do prédio. As credenciais ele tinha, pois depois da aposentadoria, e com experiência profissional em manutenção predial, passou a gerir condomínios, unindo dedicação e experiência. E era justo disto que o Famalicão precisava. “Uma edificação pequena pode fazer parecer que não tem muita demanda. Mas não foi este o caso e o trabalho tem sido intenso desde que assumi”, conta Damião. Adequação à lei em primeiro lugar Da lista de afazeres, várias obras relevantes, como a substituição do para-raios, que se encontrava inoperante. E também cuidados urgentes para a correção e a melhoria das instalações do sistema contra incêndio. “Encontrei um trecho obstruído e fizemos a correção, mas depois descobrimos que mais um segmento da tubulação estava estourado”, lembra o síndico que encarou, sem se intimidar, os muitos desafios logo no início da gestão. “Estamos há quatro anos em obras, e ainda há o que fazer”, detalha. Ainda para o item instalações de incêndio, foi criada uma reserva técnica nas caixas de água. “Isto porque as referidas caixas de água não tinham. Toda esta primeira fase de ações foi dedicada a adequar o edifício às exigências da lei”, acrescenta. Para cumprir as exigências legais, o síndico instalou luz de emergência nas áreas comuns e nas escadas. E estas ainda ganharam corrimão. “Como pode ver, eram todos itens urgentes e fundamentais. E era de extrema importância realizá-los o quanto antes”, completa. Modernização dos elevadores reduziu conta de luz Resolvidos os problemas mais emergenciais, Damião voltou-se para medidas de economia. Com uma conta de luz alta e elevadores apresentando muitos defeitos, a opção foi pela modernização parcial dos equipamentos, com o aproveitamento de grande parte deles, visto que os equipamentos têm design de época. Foram substituídos o quadro de comando, o regulador de velocidade, as botoeiras internas e externas dotadas do sistema Braile e toda a fiação de acionamento, além disso foi feita a revisão da máquina de tração. O embelezamento ficou por conta de um tratamento especial da madeira no interior das cabines, para valorizar ainda mais suas características. Antes ainda, o síndico substituiu a empresa de manutenção, depois que descobriu que a mesma estava com o seu credenciamento junto à RioLuz desatualizado. E só com estas iniciativas, o condomínio teve uma redução na conta de energia significativa. Damião ainda trocou o quadro do PC de luz e trocou bombas de recalque, além da tubulação de sucção. A casa de máquinas ficou impecável. Tudo novo e funcionando perfeitamente. Ainda no que estabeleceu como prioridades, o síndico gradeou toda a extensão do condomínio, atento à questão da segurança. “O prédio é recuado e tem área de jardim coberto na frente, sob pilotis, onde por vezes amanhecia com um morador de rua dormindo ali. Com o gradeamento, garantimos maior proteção e uma separação necessária da área do condomínio e da rua”, afirma. Em paralelo, o síndico busca aumentar a harmonia entre os condôminos. Para aproximá-los ainda mais, trocou o antigo sistema de interfonia, que antes não permitia que os vizinhos falassem uns com os outros. E a lista de benfeitorias não para. Damião ainda refez toda a calçada da frente do prédio, já denominada pelo pessoal do local de calçada da fama, talvez como uma referência a um dos prédios vizinhos no qual nasceu o arquiteto Oscar Niemeyer. Os jardins, tanto o interno quanto o externo, são um caso à parte. São muito bem cuidados pelo Sr. João, o zelador do prédio, sobre quem o síndico fez questão de falar bem. “Ele cuida sozinho do prédio, mas quem vê não diz. Os vidros da portaria, por exemplo, brilham. E ele não pode ver uma vassoura. Está sempre varrendo, limpando. Não moro no prédio, mas posso ficar tranquilo, pois sei que temos um zelador que, de fato, cuida com muito carinho de tudo”, elogia. Em 2014, o prédio fez a autovistoria e, apesar da expectativa de passar, caiu em exigência devido a problemas no telhado, no prisma de ventilação e nas fachadas de frente e dos fundos. O síndico não perdeu tempo e, logo em seguida, trocou, pelo menos, 50% das telhas, aproveitando ainda para impermeabilizar e cuidar dos rufos e substituir as cumieiras. Todos os itens apontados pelo laudo já foram feitos e o prédio trabalha agora naqueles ditos recomendáveis. Por isso, Damião já pediu nova vistoria para confirmar que o prédio está adequado. “Em edifício, se você não cuida dia a dia, acumula mesmo. É muita coisa por fazer. Desta vez caímos em exigência. Mas da próxima tenho certeza que passaremos com louvor”, garante. E isto só faz encher de orgulho o síndico. “É o trabalho que abracei e gosto de fazer. Faço isso com satisfação”, conclui.

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A partir de sua experiência no elevado posto da Marinha, o Almirante Oscar Moreira da Silva comanda o condomínio Maxi Leblon, que conta com três prédios, 116 apartamentos, e ainda participa ativamente do cuidado com o entorno, a região que é quase um sub-bairro do Leblon. São seis gestões marcadas pelos mesmos princípios de alinhamento de ações de controle e preparação para o emprego efetivo, seja de material ou de pessoal, nas demandas da vida condominial. Para os condôminos, é como estar seguro, sabendo que quem está no comando é um verdadeiro Comandante de um Tikuna (o mais moderno submarino brasileiro em operação na Marinha do Brasil). A disciplina militar, no entanto, é conjugada com o mesmo coleguismo que se forma entre aqueles que navegam por meses nos espaços estreitos de um submarino. O síndico faz questão de uma troca constante com todos e criou uma extensa rede de colaboração. Cada um dos três prédio tem um representante, cada porteiro é um líder nos cuidados de manutenção e cada morador é um ativo participante da vida condominial ao utilizar o canal aberto pelo síndico para a troca de informação. Ele também mantém outro canal, via e-mail, para falar com os síndicos dos condomínios próximos. O cuidado com o micro bairro já fez história. O Almirante, que já foi síndico do condomínio em 1992, foi um dos fundadores de uma associação de condomínios do Alto Leblon (Condomínios Associados Dois Irmãos – CADI). Juntos, ele e outros síndicos e moradores da região, deram partida na retirada de uma favela nascente no local. “Foi somente com a união dos maiores condomínios da parte alta do Alto Leblon que foram retirados cerca de 35 barracos que, deixados lá, possivelmente hoje seria uma enorme favela. Tendo em vista que o Poder Público nada fez para a erradicação dos barracos obrigou aos condomínios da área a se cotizarem para negociar a compra de cada barraco para poder retirá-los de lá”, conta. Na época da CADI também conseguiram zerar o número de roubo de carros ali. “Neste caso, um vigilante de moto contratado por nós fazia rondas e um canal direto com o 23o . Batalhão de Polícia dava suporte”, detalha. Eles foram pioneiros no uso conjunto de câmeras para auxiliar as ações de segurança. “Fui Subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e, na ocasião, apresentei um projeto, hoje espalhado por vários estados, chamado Centro de Comando e Controle, composto de um Centro Integrado de Atendimento, Centro de Supervisão dos Atendimentos e um Centro de Gerenciamento de Crises nos quatro andares da torre da Central do Brasil”, explica. Seja para a área pública, seja para o condomínio e o entorno, ele se valeu muito do programa Tolerância Zero, da prefeitura de Nova York. “Estudei muito as iniciativas dele, o que permitiu adotar ações para o condomínio e o Alto Leblon. Especialmente, este conceito fundamental de agir pontualmente e com rapidez, não deixando passar nada. A ação ostensiva é a melhor maneira de manter a conservação do que quer que seja e em condomínio não é diferente”, completa. A união com os síndicos próximos é outra ação que considera de extrema importância para os condomínios. Junto com o prédio de frente, compartilham um micro ônibus circular para atender os moradores para subir e descer a longa e íngreme Timóteo da Costa. E estão em permanente contato para trocar informações e se ajudarem mutuamente nas questões relativas à segurança, manutenção e cuidados gerais. “Representamos mais de 500 unidades e com estas trocas podemos realizar negociações mais favoráveis para nós e também para as empresas, pois atendem a mais prédios no mesmo lugar”, afirma. Comunicação ágil para soluções rápidas no Maxi Leblon O Almirante explica que esta fluidez de comunicação se assemelha muito a como acontece na Marinha, em que todos ficam sabendo, ao mesmo tempo, dia a dia, de tudo o que é importante e necessário saber quando se está em um navio, ou em um submarino. Tanto para a comunicação fácil e ágil, quanto para controles em geral, ele se vale da tecnologia. Tudo é informatizado no condomínio desde 1992, época que a utilização de computadores ainda engatinhava no país. No Brasil, o setor de informática teve grande impulso por conta da Marinha brasileira. Por esta ocasião, ele já havia criado planilhas, estatísticas e controles, mas foi promovido a Almirante, assumindo um comando no estado do Mato Grosso. Só em 2010, quando passou para reserva, pode retomar a função informatizando definitivamente o Condomínio Maxi Leblon. Retomando também os controles, como os que permitem aos empregados já nos primeiros dias do ano saber as datas exatas de cada folga pelos próximos 12 meses. O mesmo é feito para consumo, inclusive de material de limpeza, e ainda para os contratos. O condomínio também dispõe de tecnologia de segurança. Além dos controles de acesso, os três porteiros e os três profissionais de manutenção têm um canal direto com o síndico, via whatsapp, para quem encaminham comunicação, com fotografia ou filmete, seja para informar sobre um problema, seja para mostrar ele já solucionado. “A tecnologia acelerou muito o nosso trabalho”, conta, dizendo que também utiliza as ferramentas de comunicação para mediar conflitos entre moradores. “São questões que não dizem respeito à administração do condomínio, mas ajudo no que for possível para que tudo se resolva da melhor forma”. Com a ajuda da tecnologia, o controle é absoluto, inclusive na garagem. É possível saber, por exemplo, quando um carro não é de um morador ou visitante. Isto porque o cadastro de moradores, além dos dados completos deles, tem ainda informações sobre cada um dos veículos da família e também dos de seus visitantes. Ele até levou a aprovação em Assembleia de previsão de multas para casos de infração às regras. “Tínhamos as câmeras e a possibilidade de identificar aqueles que desrespeitam a Convenção do condomínio, mas ela não nos dava respaldo para aplicação de penalidades”, conta. Depois disto, a partir do re gistro feito pelas câmeras, o condomínio pode dar início ao processo que vai de mensagem ao morador, e a administradora para a advertência de infração cometida, à aplicação de multa em caso de reincidência. Estas foram também graduadas, podendo até duplicar de valor. Para os controles relativos às finanças do condomínio, o síndico conta com o suporte da administradora, que permite a qualquer tempo consultar dia a dia o saldo da conta. “Paralelo às consultas que faço as aplicações que temos, incluo estes dados disponíveis no site de nossa administradora para montar mensalmente um balancete para os moradores”, diz o síndico que também realiza todo mês uma reunião com o conselho consultivo e com as representantes dos Blocos. Modernizar para garantir economia e melhor funcionamento A prontidão para a ação permite executar também as grandes obras que o condomínio exige, como foi o caso da reforma das portarias, que contou com um novo desenho, feito por um escritório de arquitetura, que deu uma identidade visual à área nos três prédios, garantindo ainda um layout mais moderno, tanto na sua estrutura quanto nos detalhes da decoração. Muito trabalho foi feito e o condomínio está bem conservado. Mas mais ainda virá. A próxima grande reforma está prevista ainda para o início do próximo semestre, quando os nove elevadores serão modernizados. O objetivo é reduzir o número de paradas por enguiços, mas também obter mais economia, com uma melhora estética significativa. “Faremos a troca dos sistemas, de analógico para digital, mudança que reduzirá nosso consumo de energia elétrica, e as cabines serão modernizadas com novas botoneiras, pois o efeito estético é importante”, completa. A economia é um item que tem total atenção do síndico e, por isto, dentre outras realizações, investiu na troca de lâmpadas que ficam acesas 24 horas, o que resultou em uma redução de 50% no consumo de energia. “Com a troca das tradicionais por equipamentos led, ganhamos ainda mais luminosidade, com menor número de lâmpadas. E elas eram muitas. O condomínio tem 5 garagens, 10 corredores de serviços por bloco e mais os 9 elevadores”, detalha. E vem mais modernização com economia pela frente. Ainda para este ano, será implantado um sistema de captação de água de chuva, que somará o seu resultado com outro, já existente, de coleta de água dos aparelhos de ar condicionado, para a rega dos jardins e as lavagens em geral. “O condomínio já utiliza a água coletada em quatro bombonas por bloco, quantidade que é suficiente para regar a parte alta do jardim e a lavagem dos carros. Com a utilização da coleta de água de chuva, a economia será ainda maior”, antecipa. O projeto foi todo desenhado por um morador, que é engenheiro, e será feito em uma área extensa e desnivelada que engloba os três playgrounds. Com tudo isto, o síndico comemora manter o condomínio como um mar de almirante, expressão que significa mar calmo, tranquilo. “Estou reformado e o ócio não é opção, visto que é, como dizia Nelson Rodrigues, o jardim do diabo. Como síndico, posso me dedicar aos cuidados necessários para conservação, nossa segurança e a valorização do nosso patrimônio. Tenho satisfação de ver feito”, conclui.

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Regina Célia de Oliveira Castro é moradora há 47 anos do Edifício Brasil, em Ipanema, e sempre foi atenta e participativa na vida condominial. No início dos anos 80, quando um grupo de senhores que se revezavam há anos na condução do condomínio passou a realizar as reuniões na administradora, no Centro, dificultando sua participação, ela ofereceu sua casa. E foi abrindo espaço para receber os demais condôminos para as reuniões condominiais que surgiu a sua indicação para síndica. “Nós tínhamos um grupo de mulheres coeso e presente em tudo, o síndico trabalhava fora e chegou até a ter uma situação em que pediu para sair porque a mulherada estava mandando muito”, brinca. Hoje, depois da sexta reeleição, Regina se mantém de portas abertas, realizando os cuidados com o edifício, sempre atenta aos anseios dos moradores, motivo pelo qual conquistou sua confiança. Para começar sua primeira gestão, fez do fundo de reserva um meio para realizar melhorias constantes no prédio. Atenta à conservação, foi uma das primeiras a entregar o laudo de autovistoria para a prefeitura, experiência que considerou um divisor de águas. “No dia a dia são muitas coisas e priorizar o que fazer não é tão simples. Com a vistoria, é como se passássemos a contar com um mapa para ir cuidando do prédio com mais segurança”, afirma. Desde então, Regina vem empreendendo correções e melhoramentos, sempre com um olho no atendimento às necessidades estruturais e de conservação e outro no bem estar dos moradores. É por isto que todas as vezes que precisa fazer uma cota extra para uma obra de maior vulto, como foi a reforma dos elevadores, lamenta. “Procuro trabalhar sempre com bastante economia. Eu mesma saio a procura de produtos e serviços com bons preços, mas nem sempre é possível”, diz. De jardineira e negociadora Regina considera que se a pessoa está pagando, ela quer ver o que está sendo feito e, por isso, não descuida do prédio, cuidando dele como se fosse uma extensão de sua casa. Muito zelo e criatividade para soluções que se revelam encantadoras. Foi assim com um grande desafio, que foi a colocação de uma grade na frente do prédio. “Foi difícil porque, a princípio, não queriam. Mas a nossa entrada parecia que fazia parte da rua. Estacionavam aqui e no Carnaval, então, ficava um horror. Com a colocação da grade e dos vidros valorizamos a entrada, garantimos segurança e privacidade, e ainda ganhamos um cantinho agradável, hoje usado como um espaço de convivência”, afirma, acrescentando que ela mesma é a jardineira do lugar. “`Plantei árvores, abacateiro, espatodea e palmeiras. Elas atraem passarinhos, nos dão sombra e até um pouco de proteção contra o barulho da rua. Sem contar na beleza”, comemora. Uma reforma que também exigiu habilidade da síndica foi a reforma do Playgraund, que aconteceu para resolver outro problema. “A nossa escada é muito ingrime e cheguei a chamar uma arquiteta para resolver a questão da acessibilidade no prédio. Mas não quiseram pagar”, conta, acrescentando que foi por isto que optou por reformar a entrada de serviço e a área do play para oferecer um acesso por ali, e este ser de um padrão similar ao da entrada social. Ela aproveitou que as portarias ficam lado a lado e, com espaço de sobra, fez uma rampa longa, com a inclinação correta, piso adequado e corrimão, tudo integrado ao play, a garagem e ao elevador. “Depois de gerar resistência, com tudo pronto a receptividade foi excelente. A área é pequena, mas ficou aprazível. Também fiz um lava pés e atualmente esta entrada serve para muitos moradores e não apenas os que chegam em cadeirantes, com carinho de bebê ou qualquer outra dificuldade de se locomover”, completa. A síndica se vale de alguns engenheiros que moram no prédio para perguntar sobre a possibilidade de desenvolver uma ideia ou outra. E, assim, consegue fazer as obras necessárias, algumas até mais complexas, como a de esgoto e de cisterna, isto sem as plantas originais. “Foram grandes desafios e ao longo destes anos o prédio foi melhorando. Obras necessárias e de embelezamento. Acho fundamental, pois a pessoa está pagando mas está vendo o trabalho sendo feito. Hoje temos um prédio de 60 anos, mas com aparência de 20 anos, pois está sempre muito cuidado”, comemora. Zelo pelo prédio faz com que continue Conhecida por ser muito conciliadora, a síndica está agora às voltas com uma situação desagradável por causa de um restaurante vizinho. “Todos reclamam, pois parece que temos uma churrasqueira dentro de casa”, conta. Depois de quase um ano de conversas amigáveis com o proprietário, que chegou a ir ao prédio a convite da síndica para sentir “o drama” dos moradores, viu a animosidade voltar, depois que um morador entrou na justiça sem falar com ela. “O proprietário tornou-se arredio novamente. Ele está errado, sabe que precisa colocar uma chaminé com um filtro específico, mas quer fazer isto usando a empena do prédio, e isto os moradores não querem. Vamos ver agora como lidar com isto. Contornar divergências para chegarmos logo a uma solução”, diz. Por esta e por outras, depois seis anos seguidos como síndica, começa a achar que já é hora de mudar. “Havia pensado em sair em agosto, mas entraria um síndico de fora e decidi seguir mais um pouco”, conta. Regina agradece a equipe e aos moradores a confiança, dizendo que não teria conseguido manter-se síndica por tanto tempo se não fosse a equipe de trabalho, que considera maravilhosa. Quanto aos moradores, dos vizinhos da mesma época que ela, restou apenas uma família. E, apesar do público diferente, maioria mais jovens, com outros interesses, todos entendem que os apartamentos são antigos e exigem que estejam sempre dando algum toque. “Eles sabem que estamos atentos e, com isso, conseguimos harmonizar o condomínio. Este é o meu temperamento. O mais importante é ter paciência e boas relações com todos, e isto eu tenho. Sou uma sortuda”, diz. A lista de obras realizadas é grande, mas inclui modernização dos elevadores, pintura das empenas, colocação da grade, reforma de casa de bombas, correção de vazamento no telhado, troca de para-raios, de caixas d’água e de mangueiras, criação de um deque e pintura da garagem. Quando reformou o playground, aproveitou para colocar piso cerâmico, reformar os banheiros dos empregados e ainda criar uma rampa de acesso, longa e com inclinação suave, que se tornou muito útil seja para dar acesso a cadeirantes, seja para quem chega com carrinho de comprar ou de bebê. Regina também investiu na redecoração da portaria social, que ganhou moveis novos. Fez novo balcão de atendimento e aproveitou o que foi possível, forrando pufs e sofá. “Dei cara nova ao prédio com pouco investimento”, conclui.

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Energia de uma criança, paixão de uma adolescente e a maturidade de quem aprendeu, na prática, a administrar um condomínio. Assim se descreve a síndica Ana Lúcia Pires Ferreira Fortes, que vem colaborando na gestão de condomínios há 16 anos. No atual, eleita e reeleita por seis vezes consecutivas, é a responsável pelas obras que mudaram radicalmente o Condomínio Maria dos Anjos, no Flamengo. Ela imaginou um prédio que fizesse frente à beleza de um dos cartões postais mais bonitos do Rio, o Parque do Flamengo, e mudou tudo. A transformação da fachada foi tão grande que fez parecer que o endereço havia sumido da rua e surgido ali outro prédio. A criação de uma rampa de acessibilidade, de perfeição técnica e beleza arquitetônica, elogiada pelo Crea-RJ, pela Prefeitura e por socorristas do Samu, tudo integrado e com identidade visual desde o projeto até os acabamentos. Nas partes comuns, não fez por menos. Criou mais 10 vagas para automóveis, ambientes mais amplos, integração de áreas, um bicicletário maior, mais dois banheiros, novas jardineiras, novos e maiores espaços para os empregados. O resultado é um imóvel com aparência moderna, organizado e funcional, oferecendo conforto interno e visão externa, ao permitir trazer a beleza do Aterro do Flamengo para dentro do prédio. Nas paredes que dão para fora, vidro cristal e tijolos de vidro, nas internas, obras de arte exclusivas. Um dos quadros reúne Pão de Açúcar e Cristo Redentor. O outro, centenas de borboletas que voam para diferentes direções, cercadas por uma moldura. Ana Lucia explica que as borboletas representam os condôminos, que têm a liberdade de ir e vir, e usufruir do seu imóvel. A moldura representa o condomínio, com suas regras e Convenção. “Eles podem tudo, desde que respeitem os limites deste espaço”, traduz a síndica, que foi até Tiradentes, em Minas Gerais, encomendá-los. “Os quadros, assim como os móveis novos da portaria, custaram muito menos do que se fossem comprados aqui, no Rio. E todos eles são confeccionados em madeira de demolição, feito por artesãos, um trabalho realmente diferenciado”, completa. O impacto é enorme, parece uma mágica e quem vê se pergunta, o que aconteceu? Os vizinhos já tentam acompanhar a renovação do Maria dos Anjos, que passou a ser considerado o condomínio residencial mais bonito da Praia do Flamengo. Mas não apenas pela beleza. Os imóveis ali tiveram valorização acima de 30%. Conhecimento de arquitetura e decoração fizeram a diferença O maior deles foi resultado da transformação de uma área antes ociosa na solução de um problema que só fazia aumentar a cada ano. Devido ao formato da garagem e a quantidade de carros maiores, toda vez que precisava manobrar um automóvel para a saída de outro tinham que deslocar oito para a rua. “Era uma loucura porque a guarda municipal vinha e multava, e o condomínio tinha que assumir e pagar”, conta a síndica. Mediu e remediu, propôs a realocação da moradia do porteiro chefe e o aproveitamento do espaço para ganhar novas vagas. Alguns moradores foram contra porque, como aquela era também uma área de ventilação para os apartamentos, temiam que o escapamento dos veículos fosse levado para cima. Ana Lucia garantiu que a criação de uma passagem, feita em gesso acartonado, faria o ar circular naturalmente de fora para a área interna. E assim foi feito. “Ele entra limpo e com uma velocidade que todos adoraram. Hoje até agradecem porque as roupas do varal secam mais rápido”, brinca, acrescentando que dispor de mais 10 vagas não levou a ganhos com aluguel ou venda. “Com a modificação, a gente remaneja os carros com facilidade. Foi tão bem aceita que alguns condôminos se anteciparam preferindo usar agora a nova garagem”, conta. Esta dedicação e o conhecimento de arquitetura e decoração, apesar de ser advogada atuante, fizeram toda a diferença. Foi ela quem pensou em todas as soluções para cada ambiente. Na escada da portaria social, que é toda em mármore, sugeriu um corte, criando uma espécie de tabeira, uma borda. Acompanhamento constante garantiu custos menores e melhor resultado Com as mudanças, trocou o local onde fica o balcão de trabalho do porteiro, abrindo um caminho da porta principal para todas as outras áreas internas. Adotou uma porta pivotante, em madeira de demolição, que dá passagem para a área de serviço, sem deixar ver o seu interior, e ainda garante ventilação constante para os porteiros. “Antes, os visitantes que iam para a coluna três achavam que seguiam para a área de serviço. Com a modificação, conseguimos integrar tudo em um só ambiente”, acrescenta. Foi o maior sucesso! Os moradores também adoraram a criação de um chuveirão e lava pés. Afinal, o condomínio fica em frente à praia. O local ganhou ainda uma jardineira, um bicicletário maior e com teto de vidro cristal, como os da portaria, que trouxe claridade ao ambiente e ainda é autolimpante. No corredor, onde ficava a antiga moradia do porteiro chefe, foi criado um lavabo para os condôminos e convidados, sugestão de um morador que é engenheiro, agradece Ana Lúcia. Também foi adquirido um bebedouro para a área de serviço, no mesmo modelo dos aeroportos. E parte da lixeira, que antes ficava dentro da casa do porteiro, hoje fica ao lado do elevador de serviço, totalmente modernizado. Agora a casa do porteiro, que antes era no meio da garagem, local escuro e sem ventilação, tem dois quartos, cozinha, banheiro e área de serviço, tudo compacto, mas bem distribuído, feito com acabamento de primeira e janelas que possibilitam uma ventilação cruzada – para a rua e para a área interna. “A esposa dele contou que a vida mudou muito depois da obra, e que, às vezes, sente até frio, mesmo sem ligar o ventilador”, relata a síndica. Desde as primeiras obras empreendidas, a substituição dos tijolos vazados dos corredores que deixavam passar a água da chuva, a criação da rampa, a reforma da fachada, tudo foi feito com o mesmo capricho e com materiais de qualidade. Em paralelo, adquiriu novo para-raios, trocou a fiação elétrica e as tubulações de água e gás. Antes o prédio sequer tinha nome na fachada. A síndica mandou fazer letras em aço e destacou, com iluminação definida, permitindo que até mesmo quem passa do outro lado da pista do aterro consiga ler. Para completar, contratou um calceteiro para aumentar a faixa de pedras portuguesas pretas que margeiam o prédio, destacando ainda mais o branco e cinza da nova fachada. Na época, também mobilizou os moradores para trocarem suas janelas, o que contribuiu para um melhor resultado geral. Contratempos superados Toda obra de grande porte tem seus infortúnios e Ana Lucia também enfrentou problemas. “Foram 54 mil reais de porcelanato que deixaram de ser entregues. O dinheiro era a conta, tudo planejado e a obra esperava apenas os acabamentos para ser concluída”, lembra, acrescentando que foi preciso suspender o pagamento e entrar na Justiça contra a empresa. Como se não bastasse, a loja transferiu para terceiros(factoring), levando tanto o condomínio quanto a síndica a ficaram com o nome negativado. “Os advogados já entraram em juízo requerendo que limpem o nosso nome. Vocês imaginam uma advogada com o nome sujo pela primeira vez na vida?”, reclama. Desde então, não para de receber ligação de cobrança a qualquer hora do dia ou da noite. E logo ela, que preza tanto por fazer tudo correto, legalizado e com autorização da prefeitura. Todas as obras foram muito negociadas, a cada centavo, fosse para um mármore, o envelopamento das portas dos elevadores, o cimento e até a areia. “Eu sou uma síndica chata, vejo cada detalhe e se não está bom mando fazer de novo”, diz. Foram muitas as discussões diretamente com fabricantes. “Na cidade de Tiradentes, onde fui comprar móveis e objetos de decoração, o vendedor se surpreendeu por ver tanto empenho de uma síndica. Respondi que por ser dinheiro dos outros é que estava tendo tanto cuidado. O País está passando por um momento especial e acredito que cabe a cada um de nós essa mudança. Não basta criticarmos, temos que dar exemplos”, completa. “Foi um trabalho árduo, de dedicação e negociações sem fim e que, sem o apoio dos conselheiros, dos empregados do prédio e dos condôminos, não teria conseguido chegar ao final, e com resultado tão positivo. Como bem disse Henry Ford: Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso e trabalhar em conjunto é a vitória”, conclui.

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O clássico edifício Rosie Marie, em Copacabana, ganhou vida nova com as gestões do síndico Celso Nogueira Araújo. O arquiteto, com longa experiência em construção, reforma e decoração de agências e lojas de um grande banco país afora, depois de aposentado, colocou todo o seu conhecimento à disposição do condomínio. O resultado é um prédio com um design da década de 50, porém com fachada novinha, reformada com o requinte de quem preserva um patrimônio cultural. E tudo dentro do rigor das leis atuais. Quando o edifício fez a autovistoria estava em dia. O síndico faz questão de ressaltar o trabalho sério do construtor Marconde da Silva Ferreira, que aceitou o desafio imposto pela restauração da obra, e o apoio fundamental do Conselho Consultivo. “Ninguém faz nada sozinho e eu contei com muita ajuda”, conta. Celso é proprietário de um imóvel no prédio há mais de 20 anos, morou fora por mais da metade deste período e, ao voltar, decidiu entrar para o conselho, a fim de colaborar com a administração do condomínio. Considerava que um edifício com a qualidade construtiva e materiais nobres, como o Rosie Marie, merecia ser preservado e que poderia contribuir para resolver os problemas de desgastes impostos pelo passar dos anos. Sistema de incêndio, parte hidráulica, PC de luz, casa de bombas, lixeira, garagem, impermeabilização das caixas d’água, apartamento do porteiro, alojamento e refeitório dos funcionários, telhados, pintura geral, elevadores, fachadas. “Aos poucos quase renovamos o edifício inteiro. Se tivesse dinheiro faria tudo mais fácil, em menos tempo. Passamos quase oito anos com obras, muitas delas foram feitas em paralelo a obras emergenciais. A maioria precisou ser paga a longo prazo, mas aí está o resultado. Estamos tranquilos até 2020, quando se fará novo laudo de autovistoria”, comemora Celso, acrescentando que procura fazer sempre o melhor, até para não pagar duas vezes, e documentando tudo. De fato, o síndico mantém uma pasta para cada obra, onde relatórios, ficha técnica, plantas, orçamentos, todo um histórico do que foi feito pode ser facilmente consultado. Só as especificações da obra que restaurou as fachadas tem mais de 50 páginas. Ele mesmo fez as plantas e avaliações, mas fez questão de ter laudos contratados, a fim de garantir a máxima transparência e correção nos processos. “É um olhar de fora. Ajuda muito a ter a segurança de que se está fazendo a coisa certa”, afirma. Celso destaca que as construções dos anos 50 foram bem feitas, são edificações sólidas, com pé direito alto, materiais nobres, e precisam ser preservadas. “Se você consegue restaurar de forma correta, tem prédio para mais 50 anos”, garante. O cuidado pode ser visto nos detalhes, como a pingadeira que desenhou para manter sempre limpas as marquises da fachada frontal, ou no polimento das portas antigas e cabines dos elevadores, agora restaurados e conservando sua originalidade, tudo dentro dos padrões de segurança atuais, sempre preservando as características do design do prédio. Desafio maior Tanto tempo realizando obras não seria sem desgastes. “A dificuldade maior não é com a obra em si. O maior desafio é lidar com o ser humano”, destaca. O síndico chegou a receber a visita de um fiscal do Conselho de Arquitetura e Engenharia, que respondeu a uma denúncia feita por um morador. Ao chegar e ter acesso às pastas que Celso já preparava, o fiscal perguntou o que motivara a denúncia, se estava tudo correto. Foi quando o síndico o levou até a calçada e mostrou os tapumes utilizados para proteção das janelas, transeuntes, dos próprios moradores e operários. Alguns queriam que fossem retirados. Acabou recebendo elogios, no lugar de notificação para retirada. “Se limitou a dizer que se o Rio tivesse prédios tão cuidados como este estaria bem, e foi embora. Mas este foi um dos episódios que serviu para dar uma ideia do quanto, mesmo você fazendo o melhor, tem sempre quem não goste. A gente nunca tem a aprovação de todos”, completa. O fato é que o síndico segue sendo reeleito, o que confirma o quanto a maioria aprova o seu trabalho. As obras futuras constam na ata de aprovação de sua nova gestão. São poucas comparadas às obras já realizadas no prédio, mas são tão importantes quanto. A restauração do prisma de ventilação e o pátio interno, a reforma de uma sala existente no térreo e a reconstituição de toda a área da portaria, com polimento dos pisos e de suas paredes em mármore, restaurando ainda as portas de ferro com seus detalhes em bronze, o que valorizará ainda mais o prédio. “Não seria preciso uma lei de autovistoria para evitar que um prédio caia, como já caiu, se todos fizessem a sua parte, atentos a valorização do próprio patrimônio e à qualidade de vida”, afirma. Cada uma das obras teve o seu desafio, porém todas garantiram benefícios. A maior delas foi a da garagem, que exigiu a pavimentação da área e, neste processo, a descoberta de vazamentos na tubulação de água desconhecidas que davam direto para o solo, o que foi corrigido. E em consequência, o prédio conquistou uma redução na conta de água de, em média, 30%. Esta deu trabalho e as pessoas reclamaram muito da demora, pois foi preciso interromper a obra para corrigir os vazamentos e só depois retomar, retirando ainda todos os veículos para poder finalizar os serviços. Mas hoje, o Rosie Marie conta com uma garagem pavimentada, um lava pés, um bicicletário, novidades que embelezaram, facilitaram a manutenção e garantiram valorização e comodidade. “Estou feliz com os resultados. A gente trabalha sério, visando um fim, que é o bem comum. Quando, enfim, vemos o trabalho pronto, a sensação é o de realização”, conclui.

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