NOTÍCIAS - Porteiros

Severino da Silva Figueiredo é zelador do Condomínio do Edifício Muki, em Ipanema, onde trabalha há quatro anos, e se destaca por um currículo diferente, que permite uma disposição para o atendimento aos moradores toda especial. Ele diz que está zelador, mas que o seu perfil é de um homem de serviços, mais especificamente do segmento de comida, bebida e transporte. Caprichoso e prestativo, sempre com um sorriso, Severino é reconhecido pela gestora do prédio, Keila Ferreira, por sua iniciativa e compromisso com o trabalho. “É um empregado que não dá trabalho. Pelo contrário, nos deixa tranquilos quanto a tudo o que diz respeito à zeladoria do prédio, pois é muito dedicado. E ainda tem a total aprovação dos moradores, que o adoram”, elogia. Nascido em Alagoa Grande, próximo a João Pessoa, na Paraíba, veio para o Rio ainda menino e, com a morte do pai logo em seguida, começou a trabalhar com apenas 10 anos de idade, crescendo e trabalhando em comércio de bairro, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O primeiro trabalho foi em uma padaria, onde ficou até os 16 anos, passando depois para uma mercearia, com um bar. Curioso e comunicativo, por onde passou, procurou aprender o máximo sobre todas as atividades e funções. Aos 18, quando serviu o Exército, também não perdeu tempo e aprendeu a dirigir, tirando a carteira de motorista na mesma época. Quando saiu, passou a trabalhar como motorista para uma família, onde também realizava serviços como mordomo. Mas o trabalho não o agradou, pois sentia-se muito preso. Assim, começou a trabalhar em restaurante, onde só de ver, pois não era a sua função, aprendeu o ofício de barman, e chegou até a ter um drink premiado, para a surpresa de todos, ao participar de um concurso de uma marca de vodca em campanha publicitária para ingresso no mercado brasileiro, no início dos anos 90. “Concorri com barmans dos melhores hotéis e restaurantes da cidade, mas consideraram o meu drink o melhor, a mistura perfeita de sabor e cor”, orgulha-se, sem contar nenhum detalhe da fórmula premiada. O prêmio foi um coqueteleira e um relógio em aço escovado. A passagem por restaurante serviu para novos aprendizados, mas acabou pedindo para sair, pois já casado e com filhos não os via crescer. “Meu filho mais novo, hoje com 22 anos, ainda me cobra por aquele período. Não tinha vida”, conta. Na época, chegou a trabalhar por nove anos em restaurante, época que fez muitos cursos e chegou até ir para São Paulo para aprender o ofício de barista, o que o levou a trabalhar em um café. Com um sonho guardado de ter um negócio próprio e o dinheiro economizado até então, achou que já era hora, mas por desconhecer aquele universo, acabou não dando certo. Severino abriu com um sócio uma banca de jornal. “Pareceu uma boa oportunidade, mas não foi desta vez”, conta. Depois disso, ele passou um tempo em casa. Mas como acontece com quem sempre trabalhou, Severino não conseguiu ficar parado e diz que esta foi a pior época de sua vida. Foi uma irmã dele, que trabalha para uma família moradora do Edifício Muki quem  contou sobre a vaga de faxineiro. “Pensei que ainda não é a hora de ter o meu negócio de comida e bebidas, como sonho fazer ao me aposentar. Preciso de tempo para pensar, planejar, me preparar. E, então, o que ia ficar fazendo em casa? Os meninos já na faculdade, e se eles precisarem de algum dinheiro? Este é um trabalho digno como qualquer outro, me permite ter acesso a pessoas que podem precisar dos serviços que posso prestar, assim aceitei. E foi a melhor coisa que eu fiz”, lembra. Além do trabalho de cuidar do prédio, depois do expediente, Severino ainda prepara jantares e atua como barman, faz dos canapés as bebidas, passando pelo prato principal, ou ainda trabalha como motorista particular caso alguém precise. “Tenho conhecimento e prática, ninguém me vê de cara feia, e isto faz com que não falte trabalho. Sempre lidei bem com o público e aqui foi a parte mais fácil. O trabalho em condomínio é muito simples, e consigo me sair bem, pois tenho esta vontade de fazer bem feito, um certo sentido de limpeza e organização que fui aprendendo ao longo da vida. Estou satisfeito me dividindo assim entre os vários trabalhos”, comenta. Hoje, Severino já é o zelador e não mais faxineiro, mas qualquer um que comente sobre as funções, ele diz que é preciso se desfazer de preconceitos. “Todo trabalho é digno. Se há algo que faz diferença é a falta de autonomia, mas se você faz bem o seu trabalho, com amor e responsabilidade, não tem do que se preocupar ou se envergonhar”, defende. Sobre o novo cargo, diz que não mudou muito para ele, pois segue com os mesmos cuidados com o prédio. “Isto não mudou a minha a rotina de trabalho. Continuo chegando cedo, cumprindo com as tarefas, do mesmo jeito, procurando fazer as coisas direitinho”, acrescenta. Para quem quer começar a trabalhar em condomínios, o zelador faz um alerta: “Tem que procurar saber que tipo de pessoa você é, pois, se for do tipo que se acomoda, pode cair na armadilha de ficar a vida inteira vivendo sem avançar. Ás vezes as pessoas ficam incomodadas de ver que um outro conquistou uma casa, um carro, que tem uma família, mas ninguém pensa que ele trabalhou para ter aquilo. É um lugar muito bom de se trabalhar se você sabe respeitar as pessoas. O trabalho é simples, mas se a pessoa tem a possibilidade de ter outra atividade, não aconselho, porque pode levar à acomodação”, considera. Apesar disto, Severino não pensa em sair e se diz feliz com o emprego. “É como a nossa segunda casa. Passo mais tempo aqui do que lá. Depois, eu sou uma pessoa que se sente realizado na vida. Não tem muito a ver com o trabalho que estou fazendo. A pessoa tem uma família, a possibilidade de ganhar a vida com o próprio trabalho, não se sente um inútil, isto já é motivo de felicidade.. Se estou trabalhando, estou feliz”, conclui.

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Era 1982 quando Josemar Ferreira Tavares começou a trabalhar no Edifício Lowndes II, no Centro. Ele era entregador há cinco anos e já tinha feito amizade com o porteiro do prédio, que o convidou para uma vaga de ascensorista. Com o passar do tempo, o porteiro percebeu que aquele jovem de 20 anos tinha maturidade e responsabilidade, sendo melhor opção para auxiliá-lo. Josemar mal começou na nova função e o porteiro faleceu. Sem conhecimento, com a responsabilidade de cuidar da portaria e do prédio, e ainda de ocupar a vaga de um profissional com 40 anos de trabalho ali, teve que superar medo, insegurança e mostrar que era capaz. Hoje, 34 anos depois, ele ainda lembra daqueles tempos como o maior desafio de sua história de trabalho. “Não houve tempo sequer para ele me passar tudo o que eu precisava saber sobre o serviço. Fiquei seis meses sozinho, jovem e inexperiente. Não fosse a compreensão dos condôminos e o apoio da síndica e da administradora, seria mais difícil. No final, foi uma experiência que me fortaleceu, me deu segurança”, lembra. Ao longo de todo este tempo ele passou por outros momentos em que pode reforçar o seu sentimento de que encontrou o trabalho que queria e tem habilidade para executá-lo. Em uma época que faltava água na rua e, muitas vezes, era preciso recorrer a carros pipa, teve jogo de cintura para lidar com a situação. “Imagine em um prédio comercial o condômino chegar numa segunda-feira e saber que começaria o dia sem água. É preciso cuidado para falar e expor o que está acontecendo para ser compreendido”, destaca. A experiência serviu para ajudá-lo em outro momento também difícil, quando o prédio adotou um controle de acesso. “Houve uma época em que não tínhamos esta preocupação com a segurança, como temos hoje. Mas quando começaram os primeiros assaltos conhecidos como saidinha de banco, todo o processo para entrar no prédio mudou e era preciso pedir paciência, fazer com que compreendessem que as novas regras eram para o bem de todos. E aqui é complicado, uma rua estreita, quase sem calçada, é fácil para um malandro atacar alguém aqui”, explica. Dia a dia tranquilo com organização A rotina do porteiro chefe começa cedo, uma hora antes do prédio abrir, para que possa percorrer todos os andares, ver se está tudo certo e preparar o que precisar para, só depois, ocupar o lugar na portaria onde controla o acesso dos condôminos e seus empregados, recebe entregadores e prestadores de serviços e mantém tudo em ordem. “Hoje temos uma tranquilidade grande porque criamos uma organização de trabalho que faz a rotina fluir, pois item a item tudo é verificado diariamente para evitar que chegue a dar problemas”, afirma. A representante da síndica, Simone Ramos, é só elogios ao porteiro chefe. “Nestes 14 anos que trabalho com ele nunca tive motivos para dizer nada em contrário. É educado, discreto, tem iniciativa e uma boa postura no atendimento aos condôminos. Uma coisa que gosto, e me ajuda muito, é o feedback que dá sobre tudo o que acontece no prédio”, enaltece. O fato de Josemar conhecer cada palmo do edifício é outro fator que a síndica faz questão de destacar como um aliado. “Ele tem este conhecimento e além disto é muito atento aos cuidados cotidianos que o condomínio exige, o que é ótimo”, completa. Josemar é casado tem um casal de filhos maiores de idade, mas ainda sem filhos, e diz que até prefere não ter netos agora, pois acha que é preciso esperar a crise passar. Caseiro, aproveita as horas livres para cuidar da casa ou assistir a um futebol na TV. Quando perguntado, orienta que a profissão de porteiro não é o que se pensa. “Muita gente pensa que é fácil. É chegar, sentar e esperar as horas passarem. Mas é um trabalho mental e físico. Requer habilidades diferentes e, especialmente, paciência e bom relacionamento com todo tipo de pessoa, sabendo que não dá para agradar a todos o tempo todo, mas que acima de tudo deve imperar o respeito. Fazer o outro entender que respeitar as regras é seu trabalho e para o seu próprio bem não é nada simples, afirma. O porteiro destaca ainda que é preciso primeiro saber se é isto mesmo o que se quer. Se será capaz de ser responsável e confiável como a função exige, pois o dia a dia é cheio de responsabilidades. “Mas, se for bom funcionário, esta é uma boa profissão”, conclui.

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No Condomínio RB1 o atendimento é feito por recepcionistas e, dentre elas, está uma que se mantém desde o lançamento do edifício comercial como legítima representante do imponente edifício, um dos mais importantes do Rio de Janeiro. Elisabeth do Rosário Batista tem mais de 18 anos à frente da recepção, onde supervisiona o trabalho de outras cinco recepcionistas, sempre com o mesmo comprometimento, razão de orgulho e satisfação do antes chefe direto e hoje cliente. É que o serviço foi terceirizado, mas, por condição imposta pela administração do condomínio, Elisabeth seguiu como supervisora. “Não poderia ser diferente, pois é muito competente, tendo sido sempre responsável em suas funções e dedicada ao bom atendimento aos condôminos e usuários”, elogia Adonai Carneiro, Coordenador Técnico e Patrimonial do RB1. “Meus patrões são muito humanos, tanto do RB1 quanto da empresa. São profissionais com visão empresarial, mas também com relações humanizadas. Temos reuniões frequentes e trocamos muita informação, que recebem muito bem. Ouvem e temos a possibilidade de conversar para chegar a uma solução. São patrões presentes e isto é muito importante”, retribui Elisabeth, que antes de iniciar sua história no edifício, foi gerente de loja em um shopping de grande porte da Zonal Sul. Tendo cursado formação de professores, alia experiência e bom atendimento ao público, com disciplina e senso de liderança. Selecionada para o cargo de recepcionista, logo assumiu a função de supervisão. “Com a terceirização, a administração pediu que seguisse coordenando a equipe e, assim, a parceria estreita com a gestão interna foi mantida”, conta, destacando que o ex-chefe direto é hoje o cliente, mas, pelos tantos anos de trabalho juntos, é, antes de tudo, um amigo. “Aprendi e ainda aprendo muito com o Adonai”, diz. Para Elisabeth, é no atendimento que está a sua motivação para buscar ser sempre melhor. “O papel de supervisão não mudou o meu modo de pensar. Quando você assume a coordenação depois de estar lado a lado com as mesmas pessoas, precisa saber lidar com isto. O que digo a elas é que ainda estamos juntas e que a única diferença é o peso da responsabilidade que passei a ter”, explica a supervisora, que ocupa a bancada de recepção, como as outras recepcionistas, e leva muito a sério esta função. “Aqui estamos à frente do único acesso ao prédio. Só permitimos a entrada se o usuário liberar. Mas, a partir do momento em que damos um crachá para uma pessoa, o segurança não tem o que fazer. É muita responsabilidade”, completa. Ela comemora o fato de nunca ter acontecido qualquer problema de segurança ao longo dos 18 anos em que trabalha no prédio, afirmando não se deixar levar por isto. “Não tivemos qualquer situação de risco em razão de falhas no controle de acesso, mas a nossa atenção é a mesma dos primeiros tempos”, destaca. Família e trabalho são suas paixões Foi somente com a primeira gravidez, que a obrigou a sair do primeiro emprego e a buscar, quatro meses depois, uma oportunidade com horários mais regulares que permitissem acompanhar melhor o crescimento da filha, que Elisabeth chegou ao RB1. “E foi o melhor para a minha vida. O trabalho aqui só trouxe coisas boas”, afirma. Ela conta que sua maior satisfação é ter uma atividade em que pode conhecer e lidar com tanta gente, em uma rotina sempre dinâmica. “Pelo convívio com os usuários, e mesmo o estresse, que faz parte, é sempre muito estimulante”. O prédio é também o lugar onde conheceu seu segundo marido, com quem hoje tem um filho. “Sou muito feliz por ter trilhado este caminho e poder hoje contar esta história marcada por bons momentos. Isto aqui é a minha paixão”, completa. Sua dinâmica de trabalho é de segunda a sexta em uma portaria que funciona das 7 às 20 horas. “Somos seis recepcionistas e procuro manter as escalas porque a pessoa também tem uma vida lá fora, e gosto de cuidar para que cada uma cumpra o seu horário, a fim de se liberar e ter sua vida organizada”, diz. Nem sempre isto é possível e rendições e mudanças podem ocorrer, mas a prontidão para reorganizar a equipe, é algo cuja experiência de Elisabeth facilita muito. Na orientação às demais recepcionistas, que chegam muito jovens, diz que o cargo é uma passagem, destacando a importância de se ter objetivos. Ela conta que da época em que começou não ficou ninguém, muitas tendo sido contratadas para empresas instaladas no prédio. “A recepção dá visibilidade a seu trabalho e, ao destacar-se, ser convidada para assumir vagas em outros lugares é natural. Digo que é isto mesmo, que devemos buscar abrir caminhos, crescer. Quanto mais profissional for a postura de cada uma, melhor para o resultado geral do trabalho”, explica. Ela mesma nem pensa na possibilidade de sair, tamanha a identificação com a recepção do RB1. Mas enseja que as mais “meninas”, como diz, sigam sempre com objetivos elevados. “O desejo de ser melhor todos os dias é o que nos move. Eu sou melhor para a escolha que fiz, pela afeição que tenho por isto aqui. Mas querer ser melhor pode levar a trilhar novos caminhos. A escolha é de cada uma, seguir adiante ou não”. Fora do horário de trabalho, Elisabeth gosta de pedalar e não abre mão de rodar com sua bike nas manhãs de sábado. Já o domingo é consagrado a família. “É o dia de um almoço diferente, de ir ao cinema com meus filhos, visitar um parente”, conta. Sem muito tempo para estudar, ainda espera um dia poder fazer cursos de idiomas. Para quem tem interesse em trabalhar na área, destaca a simpatia, a educação e, acima de tudo, a postura, como pré-requisitos essenciais. “Quando chegamos a um lugar queremos ser bem recebidos. E com o outro não pode ser diferente. Somos seres humanos, todos temos nossos problemas, mas na recepção não podemos transparecer. Da mesma forma, não podemos nos deixar influenciar quando é o outro que chega com problemas”, orienta. Para além disto, ressalta que o mais importante é o comprometimento, o entendimento de que você está representando o conjunto das empresas condôminas, a administração e de uma certa forma até a cidade, lembrando a época das Olimpíadas, quando a região onde está localizado o prédio recebeu tantos turistas. “Aqui somos referência, é um dos prédios mais conhecidos, uma locação das mais caras e requisitadas. Mas em qualquer recepção é você que está ali na frente. É o primeiro contato que, positivo ou negativo, pode influenciar visitante ou usuário. E tão importante quanto o visitante, é o cliente interno, e o tratamento deve ser igual. Temos que mostrar serviço tanto para um quanto para o outro”, conclui.

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ntônio Paulo da Silva trabalha como zelador do Edifício Timóteo da Costa, no Leblon, há um ano, depois de atuar como guardião de piscina e vigia noturno por mais de 20 anos, e de crescer vendo o pai à frente de um edifício. Zelador há pouco mais de um ano, é filho e irmão de porteiros. Ao chegar ao Rio, vindo do Ceará, há 36 anos, já teve início sua experiência. Foi morar no prédio em que o pai trabalhava, nas vizinhanças do edifício onde trabalha hoje. Aos treze anos, buscou a primeira oportunidade de trabalho, como boleiro em um clube próximo, o que o levou a buscar os cursos de guardião e operador de piscina, atividade que exerceu até 2015, grande parte deste período somando a esta atividade o emprego como vigia noturno. E é com base nesta experiência que se destaca nos cuidados com o Condomínio Timóteo da Costa. “Há alguns anos, quase não se ouvia falar em assalto na região. Hoje, todos os condomínios têm grades, câmeras e, ainda assim, todo cuidado é pouco. É a parte que mais exige dos profissionais em edifícios e sou bastente atento a isto”, afirma. O Timóteo da Costa é um edifício com duas e entradas de garagem e a rotina de trabalho é intensa, especialmente, nos horários de maior movimento. “É bom que não ganho peso, estou sempre em forma”, brinca Antônio, um zelador de hobbys diferenciados. Ele gosta de nadar e de jogar tênis, atividades que adotou na experiência de trabalho no clube. Atualmente, um lazer que mantém nas folgas, jogando no Aterro do Flamengo ou no clube, onde volta em companhia de um morador. “Justamente, quem me trouxe para cá”, conta. Quando propos a vaga, a úncia questão para Antônio foi se poderia levar a família, a esposa Regina e os filhos Lea, Marcos, Natanael e Rachel. Sabia que poderia dar a sua contribuir para o condomínio, a partir da vivência e do conhecimento que já tinha. E isto foi considerado pelos conselheiros para aprovar a sua contratação. A atitude sempre positiva é citada pela representante da síndica, Keila Ferreira, que é só elogios ao funcionário: “Antônio é muito solícito e comprometido. Sempre com um sorriso no rosto, tem iniciativa, busca soluções para as questões, reportando apenas o que não pode resolver. Foi uma contratação bastante feliz do condomínio”, elogia. “Sou grato a Deus, pois o trabalho em condomínio é muito bom. Tem períodos calmos e agitados, especialmente, quando tem mais de uma obra ao mesmo tempo. Mas é maravilhoso acompanhar tudo e, ao final, ver tudo pronto, sabendo que tudo aconteceu com tranquilidade, que correu tudo bem e todos estão satisfeitos”, afirma Antônio. Outro período de muito trabalho, mas que agrada o zelador é o de férias, quando sempre há muito movimento. “É bom demais ver que a vida segue com segurança e tranquilidade. Afinal, acidente acontece quando a prevenção falha. Se está tudo bem é sinal de que o estou fazendo bem o meu trabalho”, diz. O bom relacionamento com os moradores e com os colegas é outro motivo de alegria para ele. “O mais importante para mim é esta relação respeitosa, que é resultado do respeito que você tem pelo outro”, afirma, destacando que a disponibilidade de estar sempre aprendendo é outro fator que faz com que goste do trabalho em edifício. Para o zelador, em um edifício, mesmo para quem o viu ser construído, tem sempre algo novo a aprender, um equipamento mais moderno, uma nova rotina, que exige mais conhecimento. “Quem pretende trabalhar em condomínio deve saber que jamais poderá dizer que sabe tudo. Todos os dias, com cada pessoa, cada situação, se aprende mais um pouco”, garante. Evangélico, atento à formação dos filhos, o mais velho estudando no Pedro II, e outra já se preparando para as provas para o mesmo colégio, Antônio diz que o lazer da família se resume a igreja e, por vezes, sair para comer uma pizza. “Eles adoram. Meu trabalho e a minha conduta aqui e em todos os lugares fazem parte de uma coisa só. Quero que cresçam com o aprendizado de uma vida responsável e sadia como eu cresci. E isto é o melhor que os pais podem dar através do seu próprio exemplo. Sou muito grato por este emprego que me permite seguir neste caminho e dar aos meus filhos as mesmas oportunidades que tive”, conclui.

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José Romero do Nascimento é Porteiro-Chefe do Edifício Itatupan, em Copacabana, onde trabalha desde 1992, quase o mesmo tempo em que o síndico, Paulo Alvarenga, está à frente da administração do prédio. Juntos, formam uma dobradinha de sucesso. Foi o síndico que, vendo o seu trabalho no condomínio em frente, convidou-o para ocupar a vaga do vigia noturno, cargo em que atuou até 1997, quando passou a porteiro-chefe. Mas, desde o início, por seu interesse e facilidade para aprender, tornou-se o braço direito do síndico que reconhece o porteiro como um bom parceiro. “É dinâmico, prestativo e de fácil comunicação, sendo de total confiança, não apenas para mim, mas para todos os moradores”, elogia Alvarenga. “É um síndico muito bom. Basta ver que o trabalho maior aqui é o de manobra de carros na garagem. Nem lembro quando tivemos algum problema no edifício”, devolve José Romero. Seu jeito sempre bem humorado, meio paraibano e meio carioca, como diz, é responsável também pelo bom relacionamento com porteiros de prédios vizinhos. Romero conta que esta camaradagem permite uma ajuda mútua, especialmente nos cuidados com a segurança da rua, e que a tranquilidade do local faz com que os apartamentos sejam muito procurados, com gente sempre perguntando sobre imóvel à venda. “Mas o que acontece é que, geralmente, acabam ficando com conhecidos dos moradores mesmo. Os outros nem chegam a ter chance”, explica, destacando que a manutenção em dia do Itatupan é outro fator que contribui para atrair interessados em morar no condomínio. Aprender e ensinar, sempre O porteiro-chefe coordena o trabalho do faxineiro e do vigia, e não se nega a compartilhar com eles conhecimento algum, por lembrar-se dos seus primeiros tempos, quando chegou ao Rio, vindo do interior da Paraíba, tendo experiência apenas no trabalho da roça. “No outro prédio, comecei sem saber nada. Entregaram uma lista com o nome dos moradores e número dos apartamentos e eu passava o dia olhando para ela. Foi apenas vendo o serviço dos outros que aprendi. Não sei, acho que tinham medo de perder o emprego. Mas eu não sou assim”, conta. Ele diz que a lembrança dele próprio, que chegou com medo de não conseguir emprego, porque sem experiência sabia que só conseguiria trabalho se fosse indicado por alguém, faz ver-se no outro. “Muitos chegam sem nem saber falar direito, precisam aprender tudo e não vou ensinar?”, afirma, acrescentando que se não fosse a ajuda do irmão mais velho, José Paiva do Nascimento, que já trabalhava em edifício, talvez não tivesse conseguido. Mas Romero, ao mesmo tempo, diz que se adapta fácil a coisas novas e é muito atento, aprendendo até com o que vê na TV. Foi assim que antes mesmo de vir para o Rio foi trabalhando o sotaque para chegar “não dando tanta pinta” de ser paraibano. E é desta forma que vê no trabalho como porteiro. “É uma excelente oportunidade de estar sempre aprendendo. A gente conversa com muita gente e todo mundo ensina uma coisa nova a cada conversa que tem com você”, garante. É por isso que o porteiro-chefe do Itatupan recomenda aos novatos não apenas ser educado, saber falar com as pessoas e ajudar as pessoas de mais idade – ações pelas quais é conhecido. “Não basta ser solícito e manter sempre um sorriso no rosto. Isto é importante, mas é preciso também trabalhar de tal forma que os outros tenham em você um parceiro, alguém em quem pode confiar”, ensina o porteiro-chefe, para quem é sempre preferível ser parceiro das pessoas que fazer inimizadas. “Para quê fazer inimigos de graça, se se pode fazer novos amigos?”, pergunta. Apaixonado pelo Rio Romero conta que, recentemente, o elevador do condomínio passou por reformas, uma obra que poderia causar muito estresse, mas que tudo correu com tranquilidade. Uma situação diferente da vivida em um período mais distante, quando depois de um incêndio em uma das unidades, com consequente obra de recuperação, ouviu muitas reclamações. “Por vezes, apenas um elevador ficava disponível e, inexperiente, tinha até vergonha de falar, explicando melhor a situação e pedindo a compreensão de todos. Agora, foi bem diferente”, conta, dizendo que o morador não quer saber se você é novo e não sabe. Acha que se está ali tem conhecimento e chama sua atenção, quer um trabalho bem feito. “Se você constrói um relacionamento de parceria com o morador, ele entende que está fazendo tudo o que pode para contornar as dificuldades”, considera. Esta noção de vida em coletividade, o porteiro-chefe trouxe de casa. Filho de uma família grande, de 12 filhos, seis mulheres e seis homens, aprendeu desde cedo a ser solidário. Hoje, com apenas dois dos irmãos no Rio, Romero passa as férias, a cada dois anos, na Paraíba, para poder rever todos os seus. Apesar disto, é um apaixonado pelo Rio, cidade que levou algum tempo para conhecer, pelo fato de morar com o irmão em Itaboraí no período do primeiro emprego até passar a porteiro-chefe do Itatupan. “Quando pude conhecer achei impressionante, tão bonita que você se apaixona de cara”, comenta o porteiro que hoje mora no prédio e aproveita as horas vagas para correr na praia e malhar. “Comecei por prevenção, pois sou filho de uma família com histórico de doenças cardíacas, mas gostei tanto que hoje faço como um hobby. A musculação também virou uma paixão”, completa, falando que em todos os momentos é a esposa Marlene Cavalcante do Nascimento sua parceira de vida. “Tenho muita sorte e muitos motivos para ser uma pessoa feliz”, conclui.

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Elizângela Pereira Gomes é a porteira-chefe do Edifício Esplanada, no Centro, cargo conquistado há dois meses, depois de passar sete meses na função de porteira, mais cinco anos como zeladora. É a primeira mulher a trabalhar como porteiro no edifício, de 80 anos, e a administração, condôminos e visitantes, e a própria Elizangela, aprovaram a novidade. “Já tinha sido convidada para o cargo na gestão anterior, mas recusei porque não queria trabalhar aos sábados. Quando a atual subsíndica ofereceu o cargo, achei que a oportunidade poderia não aparecer de novo e aceitei. O maior desafio seria lidar com os colegas, todos homens e há mais tempo no prédio. Além, é claro, dos outros tantos que chegam ao prédio, prestadores de serviço, carteiros etc. Como me fazer respeitar?”, conta. O síndico Renato Neves Tonini, destaca a tranquilidade e a educação de Elizângela e diz que quer seguir contando com o trabalho dela. “Ela tem a nossa confiança e sabemos que tem todas as condições para exercer bem a função. Esperamos que tenha sempre sucesso no novo cargo”, enseja. Com o reconhecimento e a receptividade, além das primeiras experiências, a porteira já lamenta ter recusado o cargo no passado. “É um trabalho que envolve ajuda mútua, há muita solidariedade, e não só entre os colegas. Você está sempre prestando ou buscando informação, ajudando e sendo ajudada. No final, gostei tanto da função que se pudesse voltar no tempo teria aceito antes”, afirma. Tranquilidade e simpatia No edifício comercial, com escritórios, um consulado e uma agência de empregos, entre outros, a dinâmica do trabalho é intensa. Do balcão, em semicírculo, ela fica atenta a quem chega, quando aproveita para entregar uma correspondência para um condômino, ou outro, de olho no elevador para segurar um pouco para que um a mais entre, ou impedir que o limite máximo de pessoas por viagem seja desrespeitado, atenta ainda às câmeras para saber se quem pediu um andar foi mesmo para lá. Isto, ao mesmo tempo em que responde às perguntas de quem chega, muitas vezes, sem saber para onde vai. O telefone e o interfone também não param. Mas, o sorriso, a fala tranquila e o ouvido atento de Elizângela, responsáveis pela admiração que a porteira-chefe desperta, seguem impassíveis. “A mulher tem esta facilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo”, diz. O expediente vai das 6h às 14h20 e para conseguir chegar na hora, saindo de Queimados, onde mora, tem que pular da cama às 3h30 da madrugada. “Tem que ser muito determinada, mas isto eu sou”, afirma. Sobre o relacionamento com os colegas de trabalho, ela conta que a resistência inicial foi superada com muito diálogo e que em seu trabalho de coordenação da equipe não precisa nem mandar: “Não há criança aqui e todos sabem de sua responsabilidade. Como em um time, cada um faz o seu, mas todos querendo o reconhecimento por um trabalho bem feito. O meu papel é o de manter o espírito de equipe, o entendimento de que um sozinho não pode dar conta de todo o prédio. É preciso que estejamos todos juntos para que tudo funcione da melhor forma”, defende. Mãe de três filhos, um de 21, outro de 19 e um temporão de 8 anos, ganhou a primeira neta na mesma época da promoção e é só alegria. O filho menor ainda reclama sua presença e quando chega em casa quer que brinque com ele. Reclama pelo fato de que todos os amiguinhos vão para a escola com suas mães, só ele vai com o pai. É por isso que, trabalhando de segunda a sábado, o domingo é inteiro da família. Ela faz questão de elogiar o marido, Sebastião, que é portador de uma doença crônica e não pode mais trabalhar fora. “Tenho esta sorte de contar com a ajuda dele. Desde levar o pequeno à escola, até preparar o jantar, quando chego muito cansada e preciso dormir um pouco. Ele sempre me deu todo o apoio. Estamos satisfeitos com o novo cargo e ele está tão orgulhoso quanto eu”, completa. Aprender sempre mais Elizângela fez o curso de qualidade nos serviços de portaria e diz que ele foi de extrema importância para que se sentisse mais segura na função. “Me permitiu entender melhor o trabalho e esclareceu muitas dúvidas que tinha antes. Quero seguir me aprimorando”, afirma. Ela quer fazer o curso de primeiros socorros e reclama um de noções básicas de elétrica e hidráulica, específico para mulheres. “Para os homens é mais fácil. Geralmente, já entendem um pouco do assunto. Eu quero poder responder a um condômino explicando o que aconteceu, o que pode ter acontecido, assim como quem trabalha com isso faz”, diz. Para quem pensa em trabalhar em portaria, ela aconselha saber se portar, falar e ter tranquilidade para lidar com todo tipo de pessoa. Ser uma pessoa dinâmica, ter responsabilidade e compromisso são outras orientações da chefe de portaria. “É preciso também ser simpática, atenciosa e se preparar, buscar conhecer tudo o que está envolvido com o trabalho em um edifício. Para Elizângela, lidar com o público é o maior desafio e também a maior das compensações. “Se a pessoa gosta de conhecer gente nova, fazer novas amizades, trocar experiência, esta é uma ótima profissão”, afirma. O prazer de conhecer faz com que aproveite o horário de almoço para ir até os pontos turísticos da cidade, quando leva sempre um celular para tirar dúvidas e não se perder. Da mesma forma, ela aproveita todo contato com as pessoas para buscar saber mais sobre tudo. “Faz com que a gente entenda que estamos todos juntos. Um entregador, os carteiros, o pessoal que está sempre aqui e outros que estão só de passagem. Esta convivência faz com que a gente entenda que tanto o trabalho deles depende da gente, quanto o da gente depende deles”, diz. Ela se emociona com os elogios e diz que ser a primeira mulher a trabalhar no prédio, e fazer o seu trabalho bem feito, é uma honra. “Sou muito grata pela oportunidade, pela confiança que depositaram em mim. O que posso dizer é que tenham a certeza de farei sempre o melhor para que este reconhecimento seja sempre justo”, conclui.

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