Atualidade

Controle de pragas

A importância do Técnico Responsável e da regularidade nos cuidados para um efetivo controle de pragas e vetores

O termo “Responsável Técnico” vem sendo muito utilizado atualmente em muitas áreas, o que torna importante entender o seu significado e a importância que este profissional tem nas empresas de controle de pragas. Este profissional é aquele que tem nível superior, é habilitado pelo conselho profissional, tem treinamento específico e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) na área de sua atuação. Mas para quem contrata serviço de controle de pragas não está clara nem a existência, nem a importância deste profissional. A avaliação é do Diretor Técnico da Associação Brasileira de controle de Vetores e Pragas – ABCVP, o biólogo, que também integra o Conselho Regional de Biologia da 2º Região RJ/ES, Marcelo Cunha Freitas.

Nestas empresas, o papel do Responsável Técnico (RT) é responder diretamente pelo treinamento dos operadores, pela aquisição de produtos saneantes, desinfestantes e equipamentos, e ainda na orientação da forma correta da aplicação dos produtos e por possíveis danos que eles possam ocasionar à saúde e ao meio ambiente. Não é a toa que aqueles que podem exercer essa função são somente biólogos, médicos veterinários, químicos, engenheiros químicos, farmacêuticos e engenheiros agrônomos.

Para quem contrata o serviço, o importante a saber é que será ele a escolher os produtos desinfestantes que serão utilizados nas áreas do condomínio pelos técnicos. E, mais que isto, vai programar e confeccionar sua declaração de produtos químicos onde constará a concentração de uso a ser diluída, o solvente que vai ser utilizado e até mesmo a opção das iscas prontas para uso, tanto para insetos quanto para roedores.

Entender a relevância de seu papel significa dizer que não basta que a empresa celebre um contrato com um RT e, na prática, ter o técnico responsável somente para assinar e constar para comprovação junto a órgãos fiscalizadores e legisladores”, afirma Freitas, que alerta para o fato de que a atividade é, inclusive, vedada ao dono da empresa de controle de pragas, se ele não tiver formação específica na área técnica. “A prática pode levá-lo a responder por exercício ilegal da profissão”, completa.

Responsabilidade e constância de controles

Não é comum que casos de intoxicação e problemas ambientais sejam causados por ocasião do controle de pragas no condomínio. Mas, havendo um incidente, o síndico será arrolado com o responsável técnico da empresa, respondendo solidariamente tanto na esfera civil quanto na criminal. E, por isto, é preciso estar mais atento à existência e qualificação deste profissional na hora de escolher a que contratar. “O termo ‘‘responsável’’ não é figurativo. No caso de qualquer intoxicação de funcionários, ou de clientes, tais como os condôminos, adivinhem de quem é a responsabilidade?”, alerta Freitas, para quem o controle de pragas é uma das profissões mais sérias, fato a que se dá pouca atenção.

Sobre a eficácia do serviço, o que para quem contrata vem em primeiro plano, o especialista afirma que as empresas e profissionais técnicos têm o compromisso de manter os níveis de infestações sob controle tolerável, e por isso o termo “controle de pragas e vetores”. “Há muito já não utilizamos o termo dedetização, apesar dele sobreviver na fala popular. Mas não há como se afirmar que não existam mais vetores e pragas naquele lugar tratado. O que se pode afirmar com total segurança, após um trabalho técnico, é que o local encontra-se sob controle”, explica Mônica Martins, também bióloga, que é responsável técnica de uma empresa há cinco anos.

Ela conta que ao conversar com os síndicos procura sempre fazer com que entendam que quando o assunto é pragas e vetores, está se falando de um ser vivo, que, sem controle, procria e prolifera. “Não existe nenhuma possibilidade de eficácia sem uma regularidade de combate especializado, pois são muitos tipos de pragas e cada uma tem suas características de vida e proliferação”, afirma.

Dengue, Zika, chikungunya e, agora, a febre amarela. Como manter o condomínio livre dos mosquitos transmissores destas doenças?

Se para as pragas a prevenção deve obedecer a uma regularidade para um efetivo combate, para os vetores não é diferente. O combate aos mosquitos precisa ser permanente. O cuidado com o ambiente, com a contínua busca e eliminação de criadouros, a limpeza e organização dos locais, sem acúmulo de lixo e águas paradas, soma-se à desinsetização (fumacê).

A bióloga Mônica Martins destaca que as campanhas para a participação dos condôminos no combate aos mosquitos segue como ação fundamental para os condôminos, visto que já se sabe que a forma urbana da febre amarela é transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a chikungunya e a zika.

Quanto às críticas aos danos que os fumacês podem trazer a outros animais, a bióloga destaca, a já disponível no mercado, opção de soluções a base de plantas para um controle ambiental de vetores e pragas. São produtos sem toxicidade e sem cheiro, que não fazem mal a animais ou pessoas. “São produtos orgânicos, com repelência apenas para mosquitos, baratas e outras pragas, em ambientes controlados”, garante.

Para o combate aos mosquitos o cuidado depende da participação de todos. “A ação do fumacê no controle de insetos alados tem seus limites. Se o vizinho não fizer a parte dele, o risco continua. Porém, quando fazemos a nossa parte ele diminui. Neste sentido, o combate aos mosquitos deve ser constante, assim como as campanhas de conscientização que devem ser toda a população, pois a participação de cada um neste combate é fundamental”, conclui Mônica.