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Elevadores: acidentes alertam para manutenção preventiva

Acidentes alertam para manutenção preventiva e determinação de que somente profissional habilitado pode retirar pessoas presas em equipamento parado

Apesar dos elevadores serem considerados o meio de transporte mais seguro, no último semestre de 2016 um número incomum de acidentes aconteceu, alguns com vítimas fatais: “Sete pessoas de uma mesma família ficaram feridas após um elevador despencar em um prédio na Barra da Tijuca”. “Uma jovem de 24 anos morreu ao cair do 6o andar dentro do poço de um elevador, no prédio onde morava, em Copacabana”. “Pintor de 62 anos morre ao cair em fosso de elevador, em Goiânia”. “Uma servidora sofreu escoriações quando o elevador subiu em velocidade alta, parando bruscamente, fazendo cair sobre ela as grades de proteção das luminárias, no Campus Recife da UFPE”. “Três homens ficam feridos quando o elevador despencou do térreo para o subsolo, em Bauru/SP”. “Uma idosa de 87 anos morreu e sua neta ficou ferida quando a porta do elevador abriu e elas entraram antes dele chegar, sendo atingidas pelo equipamento, em Bariri/SP”.

A sucessão de notícias trágicas chamou a atenção e quem entende do assunto, ainda que destaque que no universo de equipamentos instalados este número de acidentes não é significativo, reconhecem que equipamentos obrigados por lei a ter manutenção preventiva mensal não deveriam apresentar tantos problemas. As próprias empresas responsáveis pela conservação dos elevadores podem comprovar isto pelo alto número de ordem de serviços diários. O que está acontecendo com estes equipamentos?

Para o engenheiro mecânico e consultor Heraldo Melo, o déficit de mão de obra capacitada para atender aos elevadores instalados é o maior responsável ao, praticamente, obrigar que as manutenções não sejam preventivas, mas corretivas: “Ao deixar de avaliar o equipamento para detectar eventuais problemas e corrigí-los preventivamente, eles acabam parando mais vezes, o que pode levar a acidentes”, afirma.

Ele diz que em um condomínio residencial de porte médio, para a realização de uma manutenção preventiva em que se avaliem componentes, se façam testes, se observem ruídos, se lubrifique etc., seria necessário meio dia do técnico. Como eles têm um número grande de elevadores para atender em um único dia, na prática, as suas idas ao prédio são para atender a uma solicitação de correção. “Com isso, falta tempo para a manutenção preventiva”.

Sindicato investe em formação para diminuir déficit de mão de obra qualificada O presidente do Sindicato das Empresas de Conservação, Manutenção e Instalação de Elevadores do Estado do Rio de Janeiro (Secmierj), Fernando Tupinambá, confirma que o Rio tem mais de 65 mil elevadores instalados e aproximadamente 70 empresas habilitadas a prestar serviços de manutenção no GEM – Gerência de Engenharia Mecânica, da Rio Luz, órgão municipal que tem a responsabilidade de regulamentar e licenciar as empresas fabricantes, instaladoras e conservadoras de transporte vertical.

E ele acrescenta outro fator a agravar a situação, que é a defasagem entre as tecnologias em uso. “Ainda há muitos equipamentos analógicos convivendo com os digitais. Os técnicos habilitados a atender os elevadores a relé, por exemplo, estão se aposentando. Quem segue trabalhando nem sempre consegue acompanhar as inovações. É preciso que os usuários se conscientizem de que estes equipamentos têm uma vida útil de 20 anos e que passada esta idade devem ser modernizados. Um elevador novo representa melhor funcionalidade, segurança e ainda economia de energia elétrica”, explica.

Sobre a falta de mão de obra qualificada, Tupinambá diz que a formação e a qualificação para o setor devem ser encaradas como prioridade de todo o empresário do segmento de assistência técnica de transporte vertical. Destaca uma iniciativa, pioneira em nosso país, que já está dando seus primeiros frutos. É a parceria público privada firmada entre o SECMIERJ e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, que controla a FAETEC – Fundação de Apoio à Escola Técnica, para ofertar o Curso de Especialização Técnica de Nível Médio em Eletromecânica de Manutenção de

Elevadores. A formação, em nível de especialização, utiliza a metodologia dual escola-empresa, em que a teoria é desenvolvida na escola e a parte prática na empresa. A unidade da FAETEC escolhida para receber este projeto foi a Escola Técnica Engenheiro Silva Freire, localizada em Deodoro. A segunda turma já está sendo selecionada e o curso terá início no mês de abril.

A parceria é um esforço das empresas de conservação de elevadores e as empresas fornecedoras de peças, para contribuir com a formação de nível técnico de uma nova geração de profissionais, que já sai do curso com o seu registro no CREA-RJ.

Outra ação importante que o SECMIERJ vem realizando, ainda no intuito de contribuir para a melhoria do atendimento das conservadoras, é o Fórum Permanente de Elevadores do Estado do Rio de Janeiro, que congrega empresas de assistência técnica em elevadores, consultores técnicos, administradoras de imóveis, síndicos, órgãos de fiscalização do segmento, sempre com temas de interesse com o objetivo de informar e orientar. Este ano, o evento acontecerá em abril e terá como tema segurança.

Escolha a empresa certa e seja chato O presidente do Sindicato alerta que o síndico é responsabilizado se assinar contrato com empresa não habilitada no GEM, destacando que há três qualificações nesta habilitação: a que pode instalar, a que pode conservar e a que pode fazer as duas coisas. “As empresas de conservação não estão habilitadas a fazer modernização de elevadores. Muitos síndicos não sabem disto”, orienta.

Ao selecionar uma empresa, Tupinambá aconselha a prestar atenção no preço, abaixo do praticado pela média do mercado. “A manutenção de elevadores é cara”, diz. Ele também chama a atenção para a necessária formalização da relação com a empresa. “Tudo deve estar acordado em um contrato formal e este deve ser respeitado por ambas as partes”, enfatiza, lembrando o caso de um síndico que fez contato com uma empresa dizendo que pagou 50 reais para uma pessoa e ela pôs o elevador para funcionar. “A situação caracteriza quebra unilateral de contrato. Cabe denúncia ao GEM e processo por danos morais. Só a empresa de conservação com contrato vigente pode atuar no elevador. Se não tem confiança na empresa, deve cancelar o contrato, respeitando as cláusulas estabelecidas para isto e buscar outra empresa”, diz.

O consultor Heraldo Melo acrescenta que não há mágica e que diante da situação os síndicos devem ter muito cuidado ao selecionar uma empresa e durante o contrato ser exigente. “O síndico deve ser muito vigilante, chato mesmo, com a empresa de manutenção. Escutou um barulho, o elevador está sacudindo, chama a empresa de manutenção responsável. Se disserem que passarão na próxima semana, diga que devem vir logo, pois em caso de acidente responderá por isto solidariamente, quando não isoladamente. No caso da jovem do Copacabana, por exemplo, o porteiro responderá, será avaliada se a empresa responderá, mas certamente o síndico será responsabilizado. Ele tem responsabilidade civil e criminal sobre tudo o que acontece no condomínio e como responsável deve fazer pressão, pois elevador só cai se é mal mantido”, conclui.

Evite acidentes

Somente a empresa responsável pela manutenção do equipamento e o Corpo de Bombeiros estão habilitados a realizar a retirada de pessoas presas em elevadores parados. O porteiro deve apenas conversar, do lado de fora, para acalmar a pessoa que ficou presa, enquanto aguardam a chegada de quem pode, com segurança, fazer o resgate.

 

O Corpo de Bombeiros dá dicas para os usuários e condôminos em geral não se acidentarem:

– Verificar se a cabine chegou antes de entrar na porta do elevador.

– Não exceder a capacidade máxima de passageiros.

– Não tente parar o fechamento das portas com algo, incluindo mãos, pés, bengalas, etc.

– Utilize as escadas se houver incêndio ou outra situação que poderá levar a uma interrupção no fornecimento de energia.

– Entre e saia cuidadosamente. Passageiros próximos às portas devem se mover primeiro.

– Fique atento às portas, mantenha roupas e o que carregar longe delas.

– Se as portas não abrirem quando o elevador parar, aperte o botão ABRIR PORTA. Se as portas ainda não abrirem, toque o botão de ALARME e use o telefone ou intercomunicador. Aguarde até que uma pessoa qualificada possa atendê-lo.

 

Proteja-se se o elevador parar entre andares:

– Aperte ou puxe o botão de ALARME para chamar assistência.

– Telefone para solicitar ajuda, se o telefone estiver disponível.

– Um intercomunicador ou um alto falante também podem estar disponíveis.

– Siga as instruções para o uso.

– Não force a abertura da porta do elevador.

– Não tente sair do elevador.

– Seja paciente, a ajuda está a caminho.

– Você está seguro e há bastante ar.

 

Sinalização obrigatória

Condomínios estão obrigados a manterem nos halls de elevadores placas com os dizeres “Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar” – Lei No 7326 de 7 de Julho de 2016.