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Eficiência Energética – Acenda essa ideia!

O País acordou para a questão energética, sacudido pelas questões climáticas que afetaram o custo, já alto, de produção de energia. Com isto crescem as possibilidades, inclusive a de fomento para a adoção de soluções que ajudem a reduzir o consumo. A conta de luz, que pesa nas despesas condominiais, agora tem a seu favor algumas soluções.

Fernando Freitas é consultor de eficiência energética, atuando com projetos de redução de custos e reenquadramento tarifário e diz que não faltam soluções possíveis. “O tema tornou-se tão importante que já há financiamento para isto. E, com ele, não é preciso sequer meter a mão no bolso. A redução da conta garante recursos para pagar as parcelas e ainda sobra dinheiro. E, além da economia, o condomínio ganha em facilidade de manutenção, conforto visual e segurança”, afirma.

O especialista dá como exemplo um condomínio resort, de 600 unidades, na Barra da Tijuca, cujo projeto resultou em uma economia de 50% do custo da energia elétrica gasta com iluminação na área comum. Dos 193 mil reais pagos mensalmente com energia elétrica, 40%, ou seja, R$ 77.200,00 eram gastos com iluminação. Após atualização do sistema de iluminação para led, onde foram substituídas 4.155 lâmpadas, o condomínio obteve uma economia de 50% na quantidade de KW gastos mensalmente, representando uma redução de R$ 38.000,00 mês. “O custo deste projeto foi de 540 mil, contratado por 36 meses, ao custo de 23 mil por parcela. A primeira parcela já foi paga com a economia, uma vez que a cobrança só é iniciada após o término da implantação, e o condomínio ficou com 15 mil a mais, por mês, em caixa”, detalha.

Quem conhece bem o resultado da adoção de um projeto de eficiência energética é o síndico Iberê César da Silva, do Edifício Golfo do México, também na Barra da Tijuca. Em 2015, ele conquistou uma economia de 30% na conta de luz. “Para se ter uma ideia, o consumo anterior às ações foi de 19.964 kw, no mês seguinte já foi de 12.240 Kw. E isto sem precisar mexer no caixa do condomínio, pois o investimento se paga sozinho. E mais, com o projeto de eficiência energética, as lâmpadas não trazem apenas economia, há um estudo para o local e para as lâmpadas mais adequadas, garantindo melhor iluminação, com menos equipamentos”, comemora.

Só na área da garagem, que é para 360 carros, onde havia 320 lâmpadas comuns, passou-se a 160 de led, e com maior luminosidade. O condomínio financiou em 36 vezes e, mesmo pagando as prestações, ainda fica com 2 mil em caixa. “Tivemos uma economia real de 5 mil. Com uma conta em R$ 1.800,00, e mesmo com o custo da bandeira vermelha posterior ao investimento, de R$ 1.200,00, ainda ficamos com um bom recurso para investir em outras áreas. Sem contar que, se neste período alguma lâmpada queimar, eles fazem a troca. Por três anos não precisaremos nos preocupar com isto”, completa.

Estudo permite solução mais adequada

A satisfação do síndico é melhor detalhada pelo consultor. “É uma solução baseada em estudo minucioso. São contados todos os pontos de luz, tempo que cada um fica aceso, horários de pico, número de moradores e mensurado o custo referente a apenas o item iluminação no consumo geral de energia. A partir daí, é feito um pré-diagnóstico que apontará a sua viabilidade e ganhos reais”, explica, acrescentando que nenhum contrato é feito no escuro e o condomínio sabe, de antemão, o percentual de economia que alcançará, antes de contratar o projeto.

O especialista cita outro exemplo, de um condomínio que tinha 183 postes e estes puderam ser reduzidos para 12 de outro formato, com uma queda do número de lâmpadas de 400 para 60. “A melhor iluminação no local ofereceu maior segurança e os moradores passaram a aproveitar mais a área de lazer, mesmo à noite”, conta.

O projeto, que pode envolver todos os itens que compõem as despesas com energia, também inclui um estudo da conta propriamente dita. “Muitas vezes, há, ao longo do tempo, cobranças indevidas que podem ser corrigidas e resgatadas. Acabamos de receber de nosso parceiro jurídico a notícia de mais um condomínio que foi chamado pela Light para um acordo. Ele receberá 500 mil, valor muito significativo para qualquer condomínio”, conta. Freitas acredita que algo em torno de 50% dos usuários deve ter direito a ressarcimentos, seja por enquadramentos ou classificações, entre outros erros cometidos em suas contas.

Os maiores vilões da conta de luz

Em condomínios, o maior vilão da conta de luz é a iluminação, representando entre 40% e 50% da despesa total com o item. Depois veem as bombas, com 30% em média, e o terceiro são os elevadores. Para o primeiro, a solução mais eficaz é a substituição das lâmpadas comuns pela Led, que garante uma economia de até 60%. Para as bombas, é necessário um estudo para uma adequação e automação eficazes dos equipamentos. Freitas conta que em um condomínio verificou-se que a bomba era acionada, em média, 180 vezes por dia. “Eram 180 picos de energia, fora os desgastes que isto causa às bombas”, destaca.

Ele explica que os edifícios são entregues com uma ligação simples: quando a boia abaixa, ela é acionada, e que para corrigir o problema é preciso avaliar se está sub ou superdimensionada e adequar as bombas para a dinâmica de consumo do prédio, ajustando o nível das boias e automatizando com medidores de quantidade de água e tempo de acionamento.

Para o terceiro item, elevadores, já não é tão simples, pois envolve, muitas vezes, a necessidade da substituição dos equipamentos, já que só mais modernos garantem economia real de energia.

Uma sugestão que sempre propõe é para a inclusão de um sistema de automação que destine somente um elevador, o que estiver mais próximo, ainda que os moradores acionem todos os equipamentos. “Além de reduzir o consumo de energia, isto contribui muito para aumentar a vida útil do elevador e diminuir os problemas de manutenção”, explica Freitas. O síndico do Condomínio Golfo do México fez isto e ficou satisfeito com o resultado. “Foi mais uma ação pela economia, contribuindo também para conscientizar as pessoas da importância de colaborar na redução das despesas. Falta educação para um consumo mais consciente”, afirma o síndico.

Freitas concorda e diz que o Estado do Rio está atrasado. “Em São Paulo, a Eletropaulo tem uma preocupação imensa em orientar o síndico para a redução do consumo. Dão cursos e há toda uma estrutura para auxiliar o consumidor a diminuir a sua conta. Nosso pessoal vive fazendo cursos lá, mas não vemos isto aqui. Há muito que pode ser feito. Em indústria e comércio mais, mas também em condomínio e a maioria dos síndicos sequer sabe disso”, comenta.

Sobre os aparelhos de ar condicionado, Freitas diz que são os maiores vilões dos condomínios comerciais, sendo outro item cuja solução envolve investimentos mais altos, pois, geralmente, só com a troca do sistema é possível reduzir, de forma significativa, o consumo de energia. “Mas, este é outro investimento de retorno garantido. Os novos equipamentos são mais eficientes e econômicos que os antigos”, afirma.

Quando se é uma subestação

O síndico Rhuy Gonçalves da Silva, do Edifício Avenida Central, no Centro do Rio, conhece de perto o problema. Quem reclama, não sabe o tamanho da conta de luz que ele tem que administrar. Com seus 34 andares, 1.061 salas e 194 lojas, o edifício possui 65 subestações de energia elétrica, mantém seis torres de resfriamento de água para o sistema de refrigeração, com seis centrífugas, e sua conta chega a 900 mil reais por mês.

Sabemos que o consumo poderia ser menor se o sistema de refrigeração fosse trocado. Os modelos mais recentes oferecem economia de um terço, a um quarto da energia, mas dependemos de condições financeiras para fazer a troca. Também existe a expectativa de climatizar a galeria, mas não podemos fazer às pressas, pois precisamos compatibilizar com a nossa receita”, lamenta o síndico, que também precisará fazer, em algum momento, a compra de transformadores.

No passado, o edifício foi um dos pioneiros na adoção de equipamentos de eficiência energética, mas hoje precisa focar na manutenção para conseguir reduzir o consumo de energia elétrica e aumentar a vida útil dos equipamentos. “O consultor contratado pelo condomínio tem grande experiência e temos todo o controle da energia do prédio, que é cativa. Um tipo diferente do utilizado pela maioria, para o fornecimento de energia a um valor fixo mais baixo”, comenta.

O consultor é Heraldo Borges Teixeira, responsável pela manutenção da parte elétrica do Edifício Avenida Central. “Recebemos a energia de alta tensão, que transformamos em baixa e distribuímos para todo o edifício. No passado, muitos dos grandes consumidores trabalhavam assim e só recentemente tornou-se possível migrar para o mercado livre. Há estudos que demostram que, com isso, a redução da conta pode superar os 20%. E é por isto que já está em nossos planos mudar”, conta. “É preciso fazer a comunicação com o fornecedor atual com seis meses de antecedência, e é isso que está nos impedindo de agir de imediato”, acrescenta.

O síndico afirma que o trabalho do consultor é essencial. “Até com cobranças indevidas, pois ele avalia cada kw, cada centavo, fora do estabelecido. Contar com profissionais experientes é um trunfo, pois a alternativa de aumentar a cota pode aumentar a inadimplência e isto não nos ajudaria em nada”, afirma Rhuy, que é o síndico-administrador do prédio há 14 anos e condômino desde 1985. “Conhecemos bem o problema e fazemos muita economia, o que tem evitado uma conta ainda maior. Estamos substituindo as lâmpadas e já temos quase todo o edifício com led. Isto é essencial, pois o impacto da conta de luz representa 20% de nossa receita. Fizemos grandes esforços e tivemos bons resultados. Mas fomos pegos pelo aumento da tarifa”, reclama.

Condomínios poderão gerar a sua própria energia

Produzir energia continua muito caro e o sistema de bandeiras, que fez cair por terra muito dos esforços para reduzir a conta de luz, foi criado como um mecanismo para cobrir o elevado do custo com o acionamento de usinas termo-elétricas. Desde que foi criado, segue com a bandeira vermelha, a mais alta. Mantê-las em patamar menor depende do aumento do nível dos reservatórios. É por isso que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) segue orientando para que os consumidores combatam desperdícios e, no final do ano passado, aprovou mudanças permitindo que o consumidor, inclusive condomínios, instale pequenos geradores (tais como painéis solares fotovoltaicos e microturbinas eólicas, entre outros) e troque energia com a distribuidora local com objetivo de reduzir o valor da sua fatura de energia elétrica.

As novas regras começaram a valer em 1º de março e são válidas para usinas de até 75 kW e menor ou igual a 5 MW (sendo 3 MW para a fonte hídrica), conectadas na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras. O sistema funciona da seguinte forma: quando a quantidade de energia gerada em determinado mês for superior à energia consumida naquele período, o consumidor fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes. O prazo de validade desses créditos é de 60 meses, sendo que eles podem também ser usados para abater o consumo de unidades consumidoras do mesmo titular situadas em outro local, desde que na área de atendimento de uma mesma distribuidora.

Na configuração condomínios (empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras), a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

De acordo com a Aneel, o Brasil possui somente 33 empreendimentos de geração de energia solar em operação, responsáveis por 21.336 kW, o que corresponde a 0,02% do total do País. Com uma taxa de radiação solar das mais altas do mundo, é muito pouco. Mas já temos a primeira cooperativa de energia renovável. A experiência teve início no Morro da Babilônia e o financiamento para a instalação dos painéis veio por meio da Agência Estadual de Fomento (AgeRio), que oferece até R$ 15 mil em microcrédito para os moradores e empreendedores das comunidades, com juros de 0,25% por mês. Em um dos imóveis, com um bar, um restaurante e uma pousada, cujo consumo é de R$ 1 mil, foram colocados 12 painéis, que custaram R$ 21 mil e produzem 150 kW por mês. A estimativa é que, no máximo em seis anos, os proprietários tenham o retorno do investimento, tendo ainda 19 anos de energia, dentro da expectativa de duração de 25 anos de uma instalação solar.

A Light incentiva as iniciativas por maior eficiência energética, explicando que a cada 1 kWh consumido, 3 kWh são perdidos no trânsito do local de geração até o local de consumo, conforme informações de sua assessoria. No ano passado, a concessionária destinou R$ 12 milhões a projetos deste tipo, selecionados a partir de oito critérios, com peso maior para a relação custo-benefício, seguida pela qualidade do projeto e contrapartida, por exemplo. As chamadas públicas permitem, a critério da concessionária, a inscrição de projetos dos segmentos, industrial, comércio e serviços, iluminação pública, rural e residencial, incluindo condomínios, sendo que 50% dos recursos devem ser disponibilizados para as classes residencial, incluindo condomínios, e comércio e serviços. Para saber mais, acesse; http://www.light.com.br/eficienciaenergetica.