Entrevista

Entrevista: José Elias de Godoy

Uma referência em sua área de atuação. Assim é o Oficial da PMESP, José Elias de Godoy. Bacharel em Direito, pós graduado em Gestão de Segurança Empresarial e Patrimonial e em Planejamento Empresarial, e Mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, Instrutor de cursos sobre segurança patrimonial e condominial de entidades como o SENAC/SP, o SECOVI, AABIC e FENASEG, e autor dos livros Manual de Segurança em Condomínios, Técnicas de Segurança em Condomínios e do Guia Prático de Segurança Condominial. E colaborador da elaboração da Cartilha de Segurança Condominial da Polícia Militar de São Paulo e do Manual de Segurança Condominial do Secovi. É com base em todo o seu conhecimento e experiência que ele orienta os síndicos quanto aos aspectos mais importantes para se garantir maior segurança aos condomínios. Entre as principais dicas do especialista está a de não se esquecer das normas e procedimentos, e das campanhas junto aos condôminos para o cumprimento de seus itens, que devem complementar todo um sistema integrado de segurança do condomínio.

 

LR – O seu livro Técnicas de Segurança em Condomínio tornou-se o manual prático de consulta sobre o tema segurança condominial, inspirando, inclusive, a criação de regras de segurança interna de muitos condomínios e até o surgimento de outras publicações do gênero. Ele é de 2005. O que mudou de lá para cá?

José Elias de Godoy – Na verdade, o livro é de 2002 e está na sua 4ª edição e sua última versão é de 2014. Fomos atualizando o livro, tanto nas dicas em procedimentos quanto nas indicações de novas tecnologias. Já estamos nos preparando para fazer nova atualização face à dinâmica que é o tema de segurança condominial.

 

LR – O que é essencial para minimizar riscos de sofrer invasão e ataque de criminosos ao condomínio?

José Elias de Godoy – O importante é que se trabalhe em três frentes, o que chamamos de triângulo da segurança em condomínios, que são: a segurança física das instalações, o investimento em funcionários e a conscientização dos moradores. Somente assim é que conseguiremos reduzir os riscos e será promovido o mínimo da proteção condominial.

 

LR – No que diz respeito às ferramentas tecnológicas houve avanços no uso e já é comum que casos sejam esclarecidos apenas utilizando-se as imagens de câmeras dos condomínios. Como vê a sua adoção, e o que é importante saber antes, e até durante o seu uso, para tornar mais eficiente o resultado dos investimento em segurança?

José Elias de Godoy – Cada condomínio tem sua peculiaridade, diante disto, é importante que se analise os riscos individualmente e se escolha a melhor ferramenta tecnológica para promover a segurança individualizada do local. Hoje, um condomínio deve ter, basicamente, o sistema de CFTV (câmeras); controle de acesso informatizado; sistemas de alarmes perimetrais e de pânico (passivo e ativo); sistemas de iluminação; sistemas de comunicações; barreiras físicas frontais e perimetrais de proteção; blindagens e não podemos nos esquecer das normas e procedimentos que devem complementar todo o sistema integrado de segurança do condomínio.

 

LR – A aprovação das terceirizações aumentou o risco? Qual a importância do treinamento e das campanhas internas junto aos moradores para o sucesso dos investimentos em condomínio?

José Elias de Godoy – Em tudo deve-se analisar os prós e contras. A terceirização é uma realidade onde, ao se contratar uma empresa de serviços, deve-se verificar todos os parâmetros operacionais, administrativos, tributários e financeiros dela. Além disso, deve-se exigir treinamento periódico aos colaboradores, no mínimo, bimestralmente, bem como cobrar supervisão atuante e constante, sendo que os inspetores devem “visitar” o prédio, basicamente, três vezes por semana. Fora isso, devemos conscientizar os moradores, que são os maiores interessados pela segurança, sobre sua função no sistema de proteção do condomínio onde se deve usar campanhas educativas e objetivas com a finalidade de convidá-los a participar ativamente no processo de seguir as regras e procedimentos determinadas pelo empreendimento. Cabe lembrar que hoje temos até mídias digitais que são instaladas nos elevadores e servem, entre outras coisas, para orientar e passar dicas a todos moradores.

 

LR – Controle de acesso, treinamento (ou a falta dele), barreiras físicas. Que item tem demonstrado ser um facilitador ou um entrave aos cuidados com a segurança condominial?

José Elias de Godoy – Temos dados que mostram que 90% das invasões dos prédios ocorrem pela porta da frente do condomínio vertical. Portanto, é de suma importância que se oriente e treine muito os colaboradores de portaria, massificando seu conhecimento em controle de acesso e alertando-os dos principais golpes usados pelos bandidos. A máxima em portaria é: o porteiro tem que estar consciente que ele não é liberador de acesso e nem proibidor de acesso e, sim, controlador de acesso, e que depende, sempre, da autorização de um morador ou zelador para franquear a entrada de estranhos ao prédio. Aliado a isto, temos sistema de controle de acesso biométrico que complementa e auxilia todo trabalho dos porteiros, facilitando a entrada dos moradores e bloqueando acesso de estranhos ao condomínio. Fora isso, não podemos nos esquecer dos sistemas de clausuras, que estão sendo bastante utilizados tanto nas entradas de pedestres quanto nas de veículos.