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Limpa e cuidada

Higienizações e impermeabilização garantem a qualidade da água do condomínio

A manutenção e a limpeza das caixas d’água e reservatórios é uma das responsabilidades do síndico, cuidado essencial para que a água continue potável e própria para o consumo, e sem causar danos à estrutura, pois o cloro é altamente corrosivo. A determinação do Instituto Estadual do Ambiente – Inea é para que as limpezas sejam feitas a cada seis meses. Quanto à impermeabilização, é preciso observar o tempo de vida útil do material utilizado e, especialmente, os cuidados durante a execução do serviço a cada higienização, pois se feitas de modo agressivo podem desgastar o impermeabilizante.

João Domingos Lopes, químico industrial e especialista em higienização de reservatórios de água, destaca um outro problema que é o perigo da infiltração de esgoto e caixa de gordura, quando as instalações ficam próximas das cisternas, ou por fezes de pássaros no caso das caixas superiores. “Se houver danos na estrutura dos reservatórios isto pode acontecer. A limpeza é feita e na análise a contaminação ainda é constatada”, alerta.

O especialista chama a atenção para a questão das tampas, parte muitas vezes esquecida da estrutura das caixas, especialmente das elevadas, justo as que sofrem mais danos. “Todo reservatório precisa de cuidados de impermeabilização em toda a sua extensão. Já recusamos realizar a higienização sem que a tampa fosse cuidada, pois estava em péssimo estado, permitindo a entrada de impurezas e a contaminação da água”, afirma.

Renato Giro, arquiteto experiente no mercado de impermeabilização, reforça o alerta. “Além da tampa de acesso, também necessita de atenção a laje do teto do reservatório. É comum que se precise primeiro tratar estas estruturas para só depois conseguir fazer a impermeabilização”, explica.

 

Empresas de limpeza alertam para danos

Como geralmente os reservatórios estão em locais de difícil acesso, a manutenção periódica, feita através das empresas de limpeza e desinfecção é de grande valia para uma avaliação da necessidade de intervenções corretivas.

Foi o que aconteceu no Condomínio Senhora Sant’Ana, na Barra da Tijuca. A síndica recém empossada, Paula Abreu de Oliveira Figueiredo, soube através de um empregado que parte de uma tampa havia caído na garagem descoberta. “Vejam o perigo. Por sorte não feriu ninguém, nem danificou nenhum carro. Mas, pelo peso, poderia ter matado alguém”, dizendo que ficou chocada ao ver que a tampa já devia estar partida há muito tempo, pois a água estava verde. “Se não tivesse subido para ver não acreditaria. O risco era duplo. Se o vento não carregasse o pedaço restante, ainda restava o risco de um morador aparecer doente por conta da água contaminada”, conta.

Ela contratou o serviço de limpeza e cobriu a caixa com lona plástica, enquanto orça a impermeabilização e construção de um suporte apropriado para a caixa redonda que substituirá a atual. “Vou trocar os dois reservatórios por novos, de polietileno”, adianta.

No Condomínio Timóteo da Costa, no Leblon, a gestora de condomínio, Keila Ferreira, trocou as tampas de concreto armado pelas de alumínio, que já veem com contornos emborrachados e desenho que impede o empossamento de água. “O problema é comum na maioria dos edifícios e aconselhamos a substituição, tanto pela completa vedação que permite quanto pela facilidade para abrir e fechar. Uma tampa de concreto é pesada e pode até machucar a mão do empregado, o que não ocorre com a de alumínio”, afirma

Keila é gestora condominial da Lowndes e diz que o procedimento integra as ações de administração preventiva que a empresa realiza. “Os reservatórios, assim como toda a estrutura do prédio e seus equipamentos, são avaliados no check list que resulta em um relatório de manutenção focado na prevenção, com propostas de correção dos problemas existentes e eliminação dos focos de possíveis problemas futuros. O objetivo é estender a vida útil das estruturas e dar condições de funcionalidade à edificação por mais tempo.

 

Impermeabilização é serviço de engenharia

Chamado pelos condomínios depois de receberem o laudo da empresa de higienização dos reservatórios, o especialista em impermeabilização Renato Giro, diz que as trincas, muitas vezes assinaladas, na maioria dos casos são apenas no revestimento e não atingem a estrutura. O que não significa que elas não precisem ser tratadas. As trincas e rachaduras podem causar perdas de água e infiltrações nas unidades abaixo e também levam à oxidação das ferragens e deterioração da estrutura do reservatório, além de carregarem todas as impurezas depositadas na face externa, no caso dos reservatórios superiores. Já nos reservatórios inferiores, as trincas e fissuras, além das possíveis perdas hídricas, contribuem para o desenvolvimento de micro-organismos e até criam ambientes favoráveis ao surgimento de colônias de cupins e outros insetos.

Apesar das características distintas, não existe um material único para impermeabilização de reservatórios. Giro explica que os elevados são trabalhados com materiais para pressão positiva, de dentro para fora. E, por sofrerem a ação do calor em uma de suas faces durante o dia, causando dilatações diferentes nos lados da estrutura, é necessário o uso também de materiais com elasticidade de alto desempenho. Já para os reservatórios enterrados, o problema é a ação das águas do lençol freático. Para este caso, são necessários os sistemas de resistência à pressão negativa, de fora para dentro, e resistentes também à pressão positiva, para não deixar perder água.

 

Serviço de engenharia

Mas estes são apenas alguns dos muitos detalhes que envolvem a impermeabilização de reservatórios. Por isso, o arquiteto chama a atenção para o tempo de realização da obra. “Dependendo do estado da tampa, por exemplo, só a sua correção pode tomar até cinco vezes mais tempo que o previsto. Esta é uma obra de duração muito variável. Impermeabilizar é a parte mais fácil e rápida, o demorado é tratar a superfície para a perfeita aderência do material impermeabilizante”, explica.

Giro cita o tratamento das paredes, tanto das partes submersas, que são mais fáceis, pois o revestimento fica arenoso devido ao atrito da água que “sobe e desce” de acordo com o consumo dos moradores, quanto das superfícies acima da linha d´água. A mancha alaranjada nelas é resultante da absorção de argamassa de revestimento e de microorganismos, ressequida e duríssima de tirar, necessitando em muitas casos do uso de martelete elétrico. “Mas este é um cuidado essencial, pois sem uma boa preparação das superfícies os materiais mais usuais para impermeabilizar reservatórios não terão como aderir. Eles são em sua maioria cimentos com resinas acrílicas e, sem aderência, em curto período de tempo estarão misturados a água, e os condôminos acabarão por beber o impermeabilizante”, completa.

O arquiteto ressalta que uma impermeabilização feita dentro do padrão de qualidade, alcança mais de cinco anos de vida útil, mas ela necessita de um prazo de execução entre 15 e 30 dias, no mínimo, dependendo da complexidade e do estado de conservação interna e externa, e das condições de ventilação dos reservatórios que responde pela secagem do material impermeabilizante. “Os materiais aplicados ‘a frio’, que é o caso destes cimentícios com resinas acrílicas, são aplicados em inúmeras demãos até que seja atingido o mínimo indicado pelo fabricante. E, entre uma demão e outra, é necessário o tempo de secagem de cada uma. Como os reservatórios, de um modo geral, têm apenas um único acesso a ventilação interna é limitada, requerendo do aplicador a instalação de equipamentos para a renovação do ar interno, tanto para a secagem dos materiais, quanto para a segurança do trabalhador”, explica.

Por tudo isto, o especialista diz que é preciso dispor de um reservatório provisório para servir o condomínio enquanto o outro está sendo tratado. Sobre o uso de manta asfáltica, Giro destaca que o material vem sendo cada vez menos utilizado devido aos riscos aos empregados, pois ele exige o trabalho com fogo em espaço confinado.

 

Responsabilidade solidária

Na limpeza das caixas e cisternas é preciso observar a presença de, no mínimo, duas pessoas e o empregado não precisa sair a cada 20 minutos, pois a concentração do cloro no local é de 1,5 a 2,5 ppm, a mesma da água potável. Isto não significa não se deve ter o cuidado devido com o uso dos EPI ‘s, no caso, máscara, cinto, corda, luvas e exaustor, se necessário.

Já no serviço de impermeabilização, que gera poeira, devido a quebradeira, e odores fortes, por causa dos produtos impermeabilizantes, recomenda-se observar o que diz a Norma Reguladora NR33, específica para trabalho em espaço confinado. Por precaução, são precisos três empregados, dois com cintos de três pontas, e cada um só pode ficar dentro do reservatório por 20 minutos, quando então deve ser substituído e deve haver sempre um outro do lado de fora. Se faz necessária também uma estrutura de andaime com roldana sobre o acesso ao reservatório, capaz de içar e retirar de dentro do dele um empregado que passe mal. “O Ministério do Trabalho sabe da baixa profissionalização das empresas nestas atividades e do desconhecimento sobre a Norma Técnica. Em caso de acidente, a primeira coisa que procurarão saber é se foram tomados os cuidados necessários para evitá-lo”, alerta.

Giro pede que os síndicos avaliem com cuidado as empresas que se oferecem para realizar o serviço. “Ao ofertarem valores que, certamente não consideram os devidos cuidados para o prolongamento da vida útil do sistema impermeabilizante e da estrutura, colocam em risco seus empregados e ainda expõem a riscos de Responsabilidade Civil e Criminal o síndico. Impermeabilização de reservatório é um serviço de engenharia, que exige uma empresa habilitada e experiente para a execução deste serviço”, conclui.  

 

Cuidados que todo síndico deve ter

O síndico não deve descuidar das áreas de difícil acesso. Esquecidas, elas podem deteriorar a ponto de tornar mais onerosa a obra de recuperação ou mesmo causar danos à saúde da coletividade.

Atenção especial deve ser dada à medição diária da água, que poderá alertar para perdas invisíveis, que, no entanto, podem levar a perdas de muitos litros de água por dia.

Outra atenção essencial é para a necessária vedação dos reservatórios, adotando-se, inclusive, um cadeado para fechá-lo, a fim de impossibilitar a sua abertura por pessoas não autorizadas.

Uma boa dica é aproveitar as higienizações realizadas obrigatoriamente a cada seis meses para consultar a empresa especializada sobre se todos os cuidados necessários para a proteção dos reservatórios estão em dia e se, por ventura, algo mais pode ser feito para que eles estejam permanentemente em perfeitas condições de uso e funcionamento.