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MOBILIZE!

Campanhas internas melhoram relacionamento e são importantes ferramentas para a sua gestão

Ainda é cedo para medir resultados, mas a expectativa é a de que condôminos, seus empregados e equipe do Condomínio Flamengo Park Towers contribuam efetivamente para o combate ao mosquito Aedes aegypt e a prevenção da dengue, da zika e da chikungunya.

É que a administração está fazendo uma campanha interna que mobiliza a todos para participar das ações de prevenção. O Condomínio também faz o mesmo para incrementar e consolidar a realização da coleta seletiva e, assim, atender corretamento a legislação de descarte dos resíduos sólidos que determina que empresas e condomínios, deem destinação correta a seus resíduos.

A lei veio nos ajudar, pois quando se pensava em coleta seletiva logo vinha a mente aquela fileira de contentores coloridos que as pessoas tinham dificuldade de identificar e acabavam jogando o resíduo em qualquer uma delas. Com a nova legislação temos o saco preto e o azul, o que é reciclável e o que não é. Simplificou muito, mas para que realmente funcione, é preciso conscientizar, incentivar e mobilizar as pessoas. Uma mudança de comportamento exige uma reeducação e é nisto que trabalhamos”, afirma Carlos Kronemberger, Gerente Predial do Condomínio.

O processo foi dividido em três etapas: diagnóstico, projeto executivo e implantação e este último incluiu um trabalho de educação continuada, que inclui palestras, comunicados e ações de conscientização para condôminos e funcionários nas quais são orientados a separarem o material em recicláveis e rejeitos.

Parte importante do processo foi criar grupos gestores para dar continuidade aos projetos. Formados por funcionários dos condôminos e prestadores de serviços ligados à administração, eles têm como objetivo a constante conscientização de todos, inclusive visitantes, realizando visitas periódicas às salas e a distribuição de material informativo.

Para a coleta seletiva, os resíduos devem ser separados dento das salas e é importante que a campanha atinja o público certo. Quem lida diretamente com a coleta seletiva são os funcionários das empresas, como as secretárias de consultórios médicos e dentários, que lidam com material infectante o tempo todo. É fundamental que esses profissionais estejam bem orientados e que saibam como separar corretamente seus resíduos”, explica Elias José de Souza, gestor responsável pelo comitê formado por oito funcionários de todas as áreas, inclusive os terceirizados.

Os eletro-eletrônicos não são recolhidos pelo condomínio e tiveram uma campanha específica, na qual todos os condôminos puderam zerar esses materiais. Ao todo, o Condomínio descarta, em médio, 1 tonelada de material reciclável por mês.

Tínhamos uma ideia, a lei, a nossa vontade e a dos condôminos. Mas isto não bastava. Foi a partir da contratação de uma ONG especializada neste tipo de ação que foi feita toda a campanha, porque o funcionário tem que saber porque aquilo está sendo feito, entender que estamos cumprindo com uma responsabilidade social e ambiental. Sem isto nenhuma coleta seletiva é bem-sucedida”, completa Kronemberger.

Xô Zika!

Já o outro grupo gestor do Flamengo Park Towers foca suas ações no combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti, adaptando e adequando a campanha “Xô Zika”, do Ministério e da Secretaria Estadual de Saúde ao edifício. A ação principal é a de identificar focos de criadouro no prédio e foi precedida da distribuição de cartilhas e informativos para os funcionários e visitantes, que, com isso, podem identificar um foco e notificar à administração.

Na campanha interna foram utilizados todos os meios de comunicação disponíveis no Flamengo Park Towers, com material impresso, na TV corporativa, no site, através de Newsletter via e-mail e nos elevadores. Criou ainda botons para todos os integrantes do comitê gestor.

Sabemos que o Rio está em uma área critica, temos funcionários com afastamento por doenças transmitidas pelo mosquito e pensamos o que poderíamos fazer. Além de criar o comitê gestor, passamos a conscientizar as pessoas, buscando informação técnica, pois engana-se quem pensa que em um prédio da Zona Sul não tem criadouro”, argumenta Kronemberger, que contatou a Secretaria Estadual de Saúde pedindo ajuda.

Com isto, o Condomínio pode apresentar em seu auditório, para todos os interessados, uma palestra ministrada por técnicos da Divisão de Controle de Vetores, órgão que faz parte da Vigilância Ambiental em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, que trouxe com ele ainda um técnico do Ministério da Saúde. “Foi uma oportunidade de conhecer dados da epidemia das três doenças e também sobre a campanha “10 minutos Salvam Vidas”, que indica medidas necessárias para eliminar os possíveis criadouros do mosquito”, conta. Uma iniciativa elogiada por incentivar os funcionários a serem multiplicadores, levando informações importantes para sua residência, familiares e amigos. “Eles enalteceram o nosso trabalho dizendo que se todos tivessem essa iniciativa os índices diminuiriam bastante”, conta Elias.

Os técnicos ainda percorreram todo o edifício junto com o comitê gestor auxiliando na compreensão de como encontrar criadouros. “Nós estamos fazendo a nossa parte. E qualquer um pode fazer o mesmo. Basta ligar para a Secretaria, pois a palestra é gratuita”, afirma Kronemberger.

Baixo custo para grandes resultados

O gerente predial ressalta que as campanhas têm custo baixo e alcançam grande resultado, podendo ser mais exploradas, especialmente quando o objetivo é conscientizar e mobilizar a boa vontade de todos para que uma ação dê certo. “O fato de só haver comunicação nas assembleias, que já é tida como reunião chata e que só acontece quando há um problema, dificulta. Não pode ficar só nisso”, diz.

Kronemberger também destaca a mudança no comportamento das pessoas que sentem orgulho de participar de algo importante e para o bem de todos. “Há mais comunicação e integração entre eles, as pessoas passam a criar laços, melhorar as relações e o trabalho flui melhor”, afirma.

Para dimensionar o alcance e os resultados que podem ser atingidos pelas campanhas, basta vez o que está conseguindo o Condomínio Sunprime, na Barra da Tijuca, junto com os funcionários terceirizados e os empregados dos condôminos. Tudo começou com um desabafo da gerente predial Eliana Amaral em uma conversa de elevador com a moradora, Maria Elizabeth Gouvêa Arouca, Professora de Língua Portuguesa, Psicóloga, pós-graduada em psicanálise e psicopedagogia. Ela estava angustiada por não saber como ajudar a uma empregada da equipe da limpeza e conservação com dificuldades para abrir uma conta bancária por ser analfabeta.

Ambas acabaram dando início a um belíssimo projeto que está alfabetizando em língua portuguesa e inglesa, 15 adultos. A turma inteira, que começou com apenas dois funcionários da equipe de conservação e limpeza e foi ganhando adesão, com três meses de aulas já estava lendo e escrevendo. Diferenciado em tudo, já no final permitirá que realizem uma prova que os certificará, dando a eles, além do conhecimento, documento oficial de alfabetização.

A moradora já atuava como professora, psicóloga e psicopedagoga, e pesquisou um método que permitisse usar a função do psicanalista. Para além de alfabetizar, objetivava permitir aos alunos trocar experiências, ampliar conhecimentos e pontos de vista sobre emoções, atenta à promoção de inclusão social e à diversidade cultural. “A maioria teve histórias de vida que foram empecilhos para a aprendizagem. Me emociono, pois estão lendo e escrevendo e, aos poucos, mudando o sentido da vida”, diz, acrescentando que escolheu um método que já tinha utilizado com sucesso em outro projeto de Alfabetização de Adultos.

Sérgio Henrique Monteiro, síndico na época, apoiou completamente a sugestão da então funcionária Eliana Amaral, e em parceria com a moradora montaram o projeto, ampliando-o aos terceirizados e às funcionárias domésticas. Ele também permitiu o uso do salão de festas para as aulas e ofereceu a colaboração total do condomínio. “Ele frisou que fazia questão que fosse um projeto com continuidade e seriedade, sabedor de que traria benefícios a estas pessoas. Inclusive, profissionalmente, pois certamente atuarão de outra forma alfabetizadas”, conta. O projeto tomou corpo, ganhou logo e nome “Viver e Construir um novo olhar para o mundo”, e hoje têm até uniformes.

A opção de acrescentar a língua inglesa, ao curso de alfabetização, veio da compreensão da professora de que para ampliar a visão de mundo é preciso ir além da língua portuguesa. Neste segundo bimestre, foram incluídas ainda as disciplinas de matemática, história e geografia, como cultura geral.

Campanha boca a boca evoluiu para as redes sociais

Para começar, a gerente predial falou com cada um dos moradores, apresentando a ideia e perguntando se não conheciam alguém que tivesse a necessidade e quisesse ser alfabetizado. “A campanha foi toda pessoal e a mobilização foi imediata. Desde a administração até os moradores, todos se engajaram, pois o encorajamento e incentivo foi importante para trazer os alunos”, conta Eliana.

A partir do conhecimento de todos, a ação foi apresentada em assembleia, teve a aprovação dos condôminos e consta, inclusive, em Ata.

A babá Débora Monteiro é um exemplo de que sem o engajamento de todos os resultados alcançados não seriam o mesmo. “Comecei a trabalhar com 11 anos no Mato Grosso. Hoje, babá da segunda geração da mesma família, tive esta oportunidade que me deixa muito feliz porque é a realização de um sonho. Mas ele só está sendo possível com ajuda e a compreensão dos patrões, pois preciso trazer a criança que cuido para não perder as aulas”, conta.

Entre os alunos, o entusiasmo é grande: “Eu já sabia ler e escrever, mas trocava letras e falava errado. Sentia dificuldades e hoje encaro como desafio a superar. Até os meus filhos me veem de modo diferente. Está todo mundo feliz e aqui tem gente que ainda vai encarar uma faculdade. Esperem para ver”, garante a aluna Marta Ghedim.

Eu também estou diferente com as pessoas e estou até ensinando o filho do patrão, porque ele estudou, mas às vezes é muito grosseiro. Digo que não é assim que se fala com as pessoas e ele entende e já me vê de outra forma. Todos estamos ficando melhor”, afirma Conceição Veloso.

Mais recentemente, a turma ganhou uma página no Facebook e passou a ter vídeos das aulas acessíveis no youtube,com o nome, Projeto Viver e Construir um Novo Olhar para o Mundo, que podem ser vistos em: https://www.youtube.com/watch?v=lBFYc_jyGsc.

Para replicar em seu condomínio

Você sabia que com apenas 10 minutos por semana você pode afastar o perigo da dengue, chikungunya e zika?

Confira o por quê e saiba como participar, utilizando gratuitamente o material completo disponibilizado pela Secretaria Estadual de Saúde e aproveite a planilha com os criadouros mais comuns em: http://riocontradengue.rj.gov.br/zika/site/conteudo/