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O SEU CONDOMÍNIO MAIS VERDE

ão muitos os benefícios das plantas vivas, temperaturas mais amenas, ambiência agradável e maior valorização do imóvel. Mas, como qualquer ser vivo, as plantas exigem cuidados específicos e é importante saber escolher a melhor opção para manter o condomínio mais verde. Atualmente, há variadas alternativas, desde as jardineiras com sistemas de substratos e irrigação automatizado, para quem tem pouco espaço, a paredes, muros e telhados verdes. Há quem mantenha um jardineiro em sua equipe de profissionais e quem prefira as empresas terceirizadas. Algumas destas com produção própria de plantas, facilitando a aquisição para renovação do jardim, outras até com serviço de instalação de sistema automatizado de irrigação. Saiba qual a solução mais adequada para o jardim do seu condomínio e aproveite as dicas de quem investe no verde.

Parceria com um fiel jardineiro

O Condomínio Daniel Maclise tem a felicidade de contar com um síndico que ama jardins. “Cuidar deste item da administração é um prazer”, afirma Luiz Afonso Filho. Associado do Jardim Botânico, é ele que, em companhia do jardineiro João Paulo, colaborador há 3 anos do edifício, seleciona as espécies, desenha e redesenha cada nicho do jardim do condomínio. Pomar, horta, bromeliário, orquidário, cactário e, mais recentemente, canteiros de arbustos de crotalária juncea, planta cujas flores atraem um predador natural do mosquito Aedes aegypti, compõem o jardim privilegiado do condomínio. “Nunca pensei em terceirizar este serviço e, hoje, com a interação que tenho com o João, isto está fora de cogitação”, conta o síndico que já contratou trabalho específico de paisagismo, que inclusive indicou o jardineiro atual, mas sempre para um serviço pontual. “Estou sempre atento às espécies diferentes e vamos, semanalmente, ao Jardim Botânico pesquisar opções, comprar novas plantas”, conta Luiz Afonso, que trouxe de Inhotim, Minas Gerais, mudas de ora-pro-nobis e filodendro que já foram multiplicadas e hoje ocupam canteiros inteiros. Foi assim que também escolheu a flor de jade, espécie cujas flores têm a cor do mineral, para cobrir o caramanchão, o item mais recente a enfeitar o jardim do condomínio. “Curto muito este jardim. Fico no escritório boa parte do dia e as saídas para cuidar dele, ou só para apreciá-lo, é um exercício diário que me renova”, afirma, adiantando que, em breve, toda a marquise da frente do prédio estará coberta por russélias floridas, garantindo mais beleza também para a fachada.“É uma chorona verde e vermelha de efeito muito bonito”, diz o síndico do Daniel Maclise, edifício que chama a atenção de quem passa na rua pela escultura branca sobre um gramado impecável de grama esmeralda, na entrada. “Ela veio de longe e a sua qualidade é inigualável. Não há quem não aprecie”, completa.

Assistência completa

O Condomínio Moretto, na Barra da Tijuca, mantém um contrato de jardinagem e paisagismo com uma empresa que oferece jardineiros capacitados. A opção inclui um profissional no local de segunda sexta, das 8 às 18 horas, para a execução de todos os cuidados com o jardim. Fazem parte da rotina de trabalho podas de arbustos, regas, varreduras, defensivos e plantio. As plantas são pagas à parte, mas têm preço de custo, pelo fato da empresa ser também produtora. Com dois blocos e jardins no playground e mais na frente recuada dos edifícios, o síndico Carlos Jimenez considera o serviço completo o aspecto mais positivo desta opção para o item jardim. “Tivemos por muitos anos um jardineiro fixo, mas, com a saída dele, consideramos o tempo de experiência da empresa no atendimento a condomínios da região e fizemos a escolha que tem nos atendido muito bem. A área de jardim é grande é precisamos de um trabalho especializado”, afirma. Para o diretor da empresa, o paisagista filho e neto de produtores, com propriedade para a produção das plantas e atendimento a condomínios com serviços de jardinagem e paisagismo há 14 anos, é na capacitação do empregado terceirizado, além do acesso a projetos e espécies de plantas, que está o grande benefício da terceirização. “Se a empresa possui esta estrutura, este é menos um item para o síndico administrar. O mais importante é que o trabalho apresentado ao condomínio seja o mais completo no atendimento a este item da administração condominial que é cada vez mais valorizado e que, se bem cuidado, garante maior valorização aos imóveis”, afirma Cláudio de Oliveira Nascimento.

Regas com mangueira ou sistema automatizado?

Com a escassez de água e a maior conscientização para a economia necessário deste recurso natural, surgiram as críticas a rega com mangueira e, com elas, as opções que reduzem o consumo adequando o volume de água necessário a cada planta. Usando aspersores, micro spray ou gotejamento e outros, estes equipamentos são ligados a um sistema automatizado. Eles garante regas programadas, considerando a umidade local, o sombreamento, revelando-se uma opção para o paisagismo de residências, comércio e condomínios. Segundo especialistas, já há paisagistas que, inclusive, não realizam trabalho sem a solução, devido ao preço elevado de muitas espécias, algumas delas raras, que podem morrer devido à regas mal feitas. “Não é apenas uma questão de economia de água, mas também de manutenção de plantas caras que, incluídas no contrato de paisagismo, trazem prejuízo às empresas se mal cuidadas”, afirma Fernando da Silva Ribeiro, representante comercial da empresa carioca que oferece a solução. Com uma única fábrica dos equipamentos no Brasil, os sistemas só começaram a se popularizar depois que esta passou a dar cursos de qualificação técnica e formar instaladores. “Com isto o custo da solução vem reduzindo e, atualmente, chega a custar o preço de uma única planta, o de uma palmeira Azul Bismark, por exemplo”, garante, dizendo que a irrigação automatizada tem ainda um segundo importante benefício que é o tempo de trabalho do funcionário. “A rega tradicional, além de poder ir além ou ficar aquém da necessidade da planta, ainda toma muito tempo do empregado. Com a automatização, ele se libera para outras atividades”, completa Fernando.

Paredes e telhados verdes

Estruturas tomadas por plantas dão a impressão de que o que se têm é uma parede, muro ou um telhado verde. O resultado estético é muito bonito, mas os benefícios não é apenas este. A opção tem como resultado a redução da temperatura ambiente e o abafamento do ruído externo, além, é claro, da valorização dos imóveis. As chamadas cortinas verdes são uma solução arquitetônica também para reduzir o consumo de energia elétrica, pois permite usar menos os aparelhos de ar-condicionado. O impermeabilizador Renato Giro, presidente da Associação das Empresas Impermeabilizadoras do Rio de Janeiro, diz que tanto em telhados, quanto em paredes, é um suporte não grudado na construção que sustenta as plantas e a sua irrigação, permitindo a criação de um bolsão de ar entre a edificação e a vegetação, espaço que funciona como um isolamento térmico. “Devido a isto é importante avaliar a necessidade de impermeabilizar parede ou telhado”, afirma Giro. Este tipo de jardim requer estudos específicos para cada caso. É necessário prever espaços suficientes para as espécies se desenvolverem e estas também são específicas para cada tipo de proposta e ainda as mais indicadas para o clima da região. Os itens a serem considerados são o peso extra para a estrutura, a correta impermeabilização, irrigação e drenagem. O serviço é especializado, envolve paisagista, empresa de impermeabilização e instaladores e por ser ainda uma novidade seu custo é elevado.

Manutenção constante é o que faz a diferença

Além dos cuidados com regas, limpezas, adubação e podas regulares, é fundamental que os moradores colaborarem para manter o jardim sempre bonito. Faça campanhas de conscientização para não jogarem lixo no local, não pisotearem a grama, e ainda recolherem as fezes de seus cães e gatos.

DUAS ÁRVORES E UMA HISTÓRIA DE AMOR INTERROMPIDA

Fundação Parques e Jardins deve ser consultada previamente para quaisquer intervenções em árvores nos condomínios

Em um canto aprazível da Tijuca, dois Flamboyants vermelhos de 20 metros de altura somam mais de 40 anos de idade e muito amor dos moradores. Todos agora apaixonados, pois terão de perder uma delas e podar a outra. Recentemente, foi descoberto que uma esta oca, o que resultou em uma verdadeira comoção e iniciativas por sua preservação. A primeira providência do síndico, Medeiros Filho, foi contratar um botânico que fez uma limpeza nas árvores e usou poliuretano para preencher os buracos. Ele tranquilizou o síndico ao dizer que por estarem entre dois prédios, protegidas assim de ventos fortes, corria menos risco de cair. De qualquer modo, para prevenir-se, Medeiros entrou em contato com a Fundação Parques e Jardins (FPJ) para comunicar o fato, quando soube que antes de dar entrada no processo, deveria convocar uma assembleia específica para obter autorização dos moradores. “O cuidado é grande porque o condomínio tem responsabilidade jurídica e o síndico muito mais. Comprovado o risco, temos a obrigação de tomar todas as providências necessárias”, diz, acrescentando que as árvores têm muita história. “A dona da casa que deu lugar ao prédio impôs como condição a não derrubada. Muitos cresceram com elas, há quem não quer sequer que seja podada, não se importando dos galhos entrarem em sua sala. Só de ouvir falar do risco de perda de uma delas tem morador que chora”, conta.

Lamentavelmente, a FPJ foi até o condomínio e depois de uma avaliação decretou o corte de ambas. Com o desapontamento geral, autorizou que uma delas fosse apenas podada. As providências só poderão ser tomadas após a emissão da autorização.

A FPJ afirmou que o síndico fez certo, pois para árvore em área particular, como é o caso de condomínio, deve o responsável (seja ele morador ou o síndico) comparecer à sede da Fundação Parques e Jardins para solicitar a autorização, munido da ata da reunião deliberativa para o assunto e outros documentos. A instituição mantém em seu site (www.rio.rj.gov.br/web/fpj) o formulário e a documentação exigida. O endereço da FPJ para a entrega da documentação é Praça da República, s/n, centro.