Deu certo

Repaginação Moderna a um Edifício dos Anos 50

O clássico edifício Rosie Marie, em Copacabana, ganhou vida nova com as gestões do síndico Celso Nogueira Araújo. O arquiteto, com longa experiência em construção, reforma e decoração de agências e lojas de um grande banco país afora, depois de aposentado, colocou todo o seu conhecimento à disposição do condomínio. O resultado é um prédio com um design da década de 50, porém com fachada novinha, reformada com o requinte de quem preserva um patrimônio cultural. E tudo dentro do rigor das leis atuais. Quando o edifício fez a autovistoria estava em dia. O síndico faz questão de ressaltar o trabalho sério do construtor Marconde da Silva Ferreira, que aceitou o desafio imposto pela restauração da obra, e o apoio fundamental do Conselho Consultivo. “Ninguém faz nada sozinho e eu contei com muita ajuda”, conta.

Celso é proprietário de um imóvel no prédio há mais de 20 anos, morou fora por mais da metade deste período e, ao voltar, decidiu entrar para o conselho, a fim de colaborar com a administração do condomínio. Considerava que um edifício com a qualidade construtiva e materiais nobres, como o Rosie Marie, merecia ser preservado e que poderia contribuir para resolver os problemas de desgastes impostos pelo passar dos anos.

Sistema de incêndio, parte hidráulica, PC de luz, casa de bombas, lixeira, garagem, impermeabilização das caixas d’água, apartamento do porteiro, alojamento e refeitório dos funcionários, telhados, pintura geral, elevadores, fachadas. “Aos poucos quase renovamos o edifício inteiro. Se tivesse dinheiro faria tudo mais fácil, em menos tempo. Passamos quase oito anos com obras, muitas delas foram feitas em paralelo a obras emergenciais. A maioria precisou ser paga a longo prazo, mas aí está o resultado. Estamos tranquilos até 2020, quando se fará novo laudo de autovistoria”, comemora Celso, acrescentando que procura fazer sempre o melhor, até para não pagar duas vezes, e documentando tudo.

De fato, o síndico mantém uma pasta para cada obra, onde relatórios, ficha técnica, plantas, orçamentos, todo um histórico do que foi feito pode ser facilmente consultado. Só as especificações da obra que restaurou as fachadas tem mais de 50 páginas. Ele mesmo fez as plantas e avaliações, mas fez questão de ter laudos contratados, a fim de garantir a máxima transparência e correção nos processos. “É um olhar de fora. Ajuda muito a ter a segurança de que se está fazendo a coisa certa”, afirma.

Celso destaca que as construções dos anos 50 foram bem feitas, são edificações sólidas, com pé direito alto, materiais nobres, e precisam ser preservadas. “Se você consegue restaurar de forma correta, tem prédio para mais 50 anos”, garante. O cuidado pode ser visto nos detalhes, como a pingadeira que desenhou para manter sempre limpas as marquises da fachada frontal, ou no polimento das portas antigas e cabines dos elevadores, agora restaurados e conservando sua originalidade, tudo dentro dos padrões de segurança atuais, sempre preservando as características do design do prédio.

Desafio maior

Tanto tempo realizando obras não seria sem desgastes. “A dificuldade maior não é com a obra em si. O maior desafio é lidar com o ser humano”, destaca. O síndico chegou a receber a visita de um fiscal do Conselho de Arquitetura e Engenharia, que respondeu a uma denúncia feita por um morador. Ao chegar e ter acesso às pastas que Celso já preparava, o fiscal perguntou o que motivara a denúncia, se estava tudo correto. Foi quando o síndico o levou até a calçada e mostrou os tapumes utilizados para proteção das janelas, transeuntes, dos próprios moradores e operários. Alguns queriam que fossem retirados. Acabou recebendo elogios, no lugar de notificação para retirada. “Se limitou a dizer que se o Rio tivesse prédios tão cuidados como este estaria bem, e foi embora. Mas este foi um dos episódios que serviu para dar uma ideia do quanto, mesmo você fazendo o melhor, tem sempre quem não goste. A gente nunca tem a aprovação de todos”, completa. O fato é que o síndico segue sendo reeleito, o que confirma o quanto a maioria aprova o seu trabalho.

As obras futuras constam na ata de aprovação de sua nova gestão. São poucas comparadas às obras já realizadas no prédio, mas são tão importantes quanto. A restauração do prisma de ventilação e o pátio interno, a reforma de uma sala existente no térreo e a reconstituição de toda a área da portaria, com polimento dos pisos e de suas paredes em mármore, restaurando ainda as portas de ferro com seus detalhes em bronze, o que valorizará ainda mais o prédio. “Não seria preciso uma lei de autovistoria para evitar que um prédio caia, como já caiu, se todos fizessem a sua parte, atentos a valorização do próprio patrimônio e à qualidade de vida”, afirma.

Cada uma das obras teve o seu desafio, porém todas garantiram benefícios. A maior delas foi a da garagem, que exigiu a pavimentação da área e, neste processo, a descoberta de vazamentos na tubulação de água desconhecidas que davam direto para o solo, o que foi corrigido. E em consequência, o prédio conquistou uma redução na conta de água de, em média, 30%. Esta deu trabalho e as pessoas reclamaram muito da demora, pois foi preciso interromper a obra para corrigir os vazamentos e só depois retomar, retirando ainda todos os veículos para poder finalizar os serviços. Mas hoje, o Rosie Marie conta com uma garagem pavimentada, um lava pés, um bicicletário, novidades que embelezaram, facilitaram a manutenção e garantiram valorização e comodidade. “Estou feliz com os resultados. A gente trabalha sério, visando um fim, que é o bem comum. Quando, enfim, vemos o trabalho pronto, a sensação é o de realização”, conclui.