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Tecnologia ao alcance de todos

Pode ser demais dizer que só não investe em eficiência energética quem não quer. Mas a cada dia aumentam as opções para economizar na conta de energia, reduzindo ainda o consumo, o que beneficia toda a sociedade. Uma maior conscientização, novas tecnologias e, especialmente, a necessidade de buscar fontes menos onerosas financeira, social e ambientalmente, fazem surgir mais e mais alternativas. Já há soluções para que os prédios tenham sua própria geração de energia instalada em suas tubulações, por exempo. E é necessário apenas a circulação de água para a geração, através de uma minihidrelétrica, armazenamento e distribuição de energia. Um projeto totalmente autossustentável.

E o melhor é que a maioria das soluções são acessíveis através de programas de financiamento firmados a partir da resolução nº 482/12, 687/15 e 556/13 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que disponibiliza linhas de crédito aos consumidores, estimulando a adesão a novas tecnologias e a criação de hábitos de combate aos desperdícios.

No âmbito das concessionárias, a resolução da Aneel as obriga a, anualmente, destinar 0,4% de sua receita operacional líquida para promover o financiamento de projetos de eficiência energética (entre eles os oriundos da Chamada Pública de Projetos). No Estado do Rio de Janeiro, as concessionárias de energia são a Light, a Enel e a Energisa. A Fenosa, concessionária de gás do Rio, também tem o seu programa de financiamento que é feito através de empresas parceiras. No caso dos bancos, são os conveniados com o BNDES para a sua linha de crédito que financia projetos de sustentabilidade, a partir do ProGD. Há bancos particulares e públicos incluindo os equipamentos de energia solar fotovoltaica e aerogeradores, por exemplo, como itens financiáveis com prazos mais longos, de até 240 meses, com taxas de juros menores.

É preciso buscar empresa experiente

São soluções já disponíveis, mas que são mais facilmente acessadas através de empresas capacitadas a desenvolver uma solução completa, com especificações definidas, diagnóstico e margem de retorno do investimento. Isto porque, para a seleção nas chamadas pública, por exemplo, são exigidos dos projetos detalhes técnicos que um leigo não conseguiria atender. Em 2016, pela primeira vez, um condomínio ficou entre os selecionados pela chamada pública da Light. É o Condomínio do edifício Centro Empresarial Arthur João Donato (CEAJD), o prédio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Marco Porto, Representante do Síndico, conta que o aumento nas tarifas de energia foi um dos principais motivadores para a busca por iniciativas que ajudassem a reduzir o consumo de energia no edifício. “O Condomínio contou com o apoio do Núcleo de Tecnologias Limpas do Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental para o desenvolvimento de um estudo com este objetivo e foram os profissionais da área que sugeriram que a redução do consumo de energia do prédio poderia ter como fonte financiadora a Chamada Pública de Projetos da Light”, conta Porto.

O projeto apresentado pelo CEAJD foi o de substituição da iluminação do prédio por modelos do tipo LED. “Apesar do edifício possuir outras oportunidades identificou-se que esta medida seria mais fácil de ser implantada e ainda assim teria um impacto significante na redução da conta de energia”, comenta.

Porto diz que para atender às exigências o projeto precisou ser bem rigoroso na apresentação de documentos e na qualidade do projeto em si. “Com apoio do SENAI, que possui competência na área, o processo foi facilitado. Mas o edital é bem burocrático e exige expertise na área”, diz.

O prédio da Firjan espera alcançar a redução do consumo de energia e também a das manutenções, pois a tecnologia LED reduz a periodicidade na substituição das lâmpadas. “Indiretamente podemos citar outros benefícios da tecnologia a ser implantada, como o fato do LED esquentar menos que o modelo atual, o que reduz a carga térmica, diminuindo também o consumo do ar-condicionado. Além disso, por não conter nenhum material perigoso, a lâmpada LED pode ser descartada como resíduo comum. A lâmpada fluorescente tubular convencional deve ser descartada como resíduo perigoso, o que aumenta o seu custo a longo prazo”, completa.

O Condomínio ainda não tem o prazo exato de quando poderá dar início à implantação da solução, mas acredita que até o final do ano poderá começar a substituição das lâmpadas. Apesar das exigências para participar das chamadas públicas, nada impede que qualquer condomínio possa se beneficiar, bastando que busque uma empresa especializada para assessorá-lo. A orientação é de Leonardo Soares, da diretoria de sustentabilidade da concessionária Enel (antiga Ampla), que tem inscrições para sua chamada pública abertas até o mês de março. Neste ano, o valor destinado ao perfil de público sem fins lucrativos, como é o caso dos condomínios, é de 100 mil reais. Para atender à chamada pública, é preciso que o inscrito esteja localizado no âmbito de atuação da concessionária, ou ligado a ela através do mercado livre, e ainda que esteja quite com suas obrigações, ou ao menos com a dívida negociada. As soluções podem ser tanto a de instalação de painéis solares, como as de um mix em que diferentes soluções que podem ser integradas, como painel solar com troca de lâmpadas e/ou do sistema de ar condicionado. E a apresentação de projetos de eficiência energética pode ser feita por Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ESCOs), fabricantes e consumidores.

A Light ainda não tem data para o início das inscrições para a chamada pública deste ano, mas em 2016 elas começaram em setembro e terminaram em dezembro.

Empresas instaladoras

O engenheiro Emerson Francisco Gomes, acaba de aportar no Rio com a empresa de eficiência energética que representa, que tem sede em Goiânia-Goiás, mas atua em todo Brasil em parceria com empresas especializadas em Eficiência Energética e Usinas Fotovoltaicas de pequeno, médio e grande porte. A Empresa é co-responsável pela instalação do primeiro projeto brasileiro de Condomínio Solar de 1,06 MWp para aluguel de plantas de geração distribuída, no Ceará.

Suas soluções só são contratadas se se mostrarem viáveis do ponto de vista do retorno financeiro. Ou seja, se, de fato, o consumo pode ser reduzido a ponto de pagar os investimentos com a economia conquistada. E a empresa pretende financiar, através de parceria com bancos, alguns projetos que se enquadrem nesta condição. Ela avalia as condições das instalações, desenvolve o projeto e o próprio cliente vai a um banco conveniado ao BNDES assinar o financiamento. “De um modo geral, o desperdício eliminado com a solução de eficiência energética paga o investimento. Em um dos casos recentes em que trabalhamos, a economia foi de 64 mil na conta, valor que facilmente pagou o financiamento feito em 4 anos, sem que o cliente tivesse que tirar um só centavo do bolso”, afirma o engenheiro.

Emerson diz que é comum síndicos e até empresários não acreditarem nos resultados previstos nos pré-projetos, pois havendo a viabilidade de adoção da energia solar, e tendo área disponível o retorno normalmente é altamente satisfatório.

A revista Lowndes tem contado em suas edições casos de sucesso na adoção das novas tecnologias para eficiência energética, muitos até premiados pelo concurso promovido pelo Secovi Rio para soluções sustentáveis. Todos eles realizados desta forma, o que demonstra que o mercado já tem empresas capacitadas para auxiliar os condomínios a buscar projetos que melhor atendam a seu perfil de consumidor de energia. O bolso dos condôminos e a natureza agradecem.

 

Entenda melhor:

Em dezembro de 2012 entrou em vigor a Resolução no 482/2012 atualizada em 01/03/2016, norma da Aneel que regulamentou o Sistema de Compensação de Energia, que permite ao consumidor instalar pequenos geradores em sua unidade consumidora e trocar energia com a distribuidora local. A regra é válida para geradores que utilizem fontes incentivadas de energia, que são a hídrica, solar, biomassa, eólica e cogeração qualificada, proveniente principalmente da geração de Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs, usinas termelétricas à biomassa (bagaço de cana, resíduos de madeira, gás de aterro sanitário), usinas eólicas e usinas solar-fotovoltaica com até 30 MW de capacidade injetada no sistema elétrico. Todas e las tem grande apelo em termos de sustentabilidade.

Em dezembro de 2015 foi lançado pelo MME o ProGD- Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuida de Energia Elétrica, com o objetivo de ampliar e aprofundar as ações de estimulo à geração de energia pelos próprios consumidores. E é ele que prevê as linhas de crédito utilizadas pelos bancos:

. A Caixa Econômica Federal oferece facilidades de financiamento dos aparelhos a partir do Construcard, cartão magnético exclusivo para utilização em lojas de materiais de construção conveniadas. Dependendo do cliente, a taxa de juros pode variar de 1,96% a 2,35% ao mês.

. O Banco do Brasil possui a linha de financiamento BB Crédito Material Construção para pessoa física que tiver interesse em adaptar um sistema alternativo de geração de energia. A Linha BB Material de Construção, está disponível para correntistas do banco, com taxas de 1,53% a 2,02% ao mês.

. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) também oferece duas linhas de crédito para projetos de energia solar: Linha de Energias Alternativas e o Programa Fundo Clima. Para esses produtos de crédito, um dos mercados relevantes é o de empresas que possam estruturar planos de negócios junto aos consumidores finais que desejem instalar painéis solares em suas residências.

. O Banco Santander oferece uma linha de crédito para Sustentabilidade nas modalidades:

– CDC Eficiência Energética de Equipamentos – Para financiamento de Equipamentos de geração de energia a partir de fontes renováveis, como solar fotovoltaica e eólica;

– Sistemas termicamente eficientes (calor e frio);

– CDC Acessibilidade – Financia adaptação veicular, equipamentos para acessibilidade, plataformas de elevação, cadeira de rodas e aparelhos auditivos;

– CDC Processos Mais Limpos – Para aquisição de equipamentos que diminuem os impactos socioambientais causados pelas empresas, como sistemas para reuso da água e equipamentos para a reciclagem e redução de gases poluentes.

 

Escolha uma solução que melhor atenda à sua edificação ou aproveite e faça um mix com várias delas. Além dos sistemas solares, eólicos ou hídricos, há muitas opções que podem agregar ou ser utilizada isoladamente, todas com redução comprovada de consumo:

– Captação de água de chuva

– Reuso da água

– Medidores individuais de água

– Louças e metais sanitários economizadores de água

– Lâmpadas e reatores de alta eficiência (LED)

– Sistema de condensação de ar condicionado

– Elevadores com sistema de frenagem regenerativa

– Telhado verde